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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Aspectos de Segurança do "Novo" Protocolo IPv6

Olá Pessoal.

O sexto capítulo do meu livro intitulado "IPv6 - O Novo Protocolo da Internet" é dedicado aos aspectos de segurança do protocolo IPv6. Logo no início desse capítulo explico ao leitor que existe uma "promessa folclórica" de que o IPv6 é um protocolo mais seguro do que o seu antecessor IPv4, porque ele foi projetado na década de 1990, período em que muitas deficiências e vulnerabilidades do IPv4 eram amplamente conhecidas pela comunidade técnica. Por ser mais recente, realmente o IPv6 teve a oportunidade de corrigir várias dessas vulnerabilidades, no entanto, eu diria que ainda é equivocado afirmar categoricamente que o IPv6 é mais seguro do que o IPv4. Eu prefiro pensar que o IPv6 tem potencial para ser mais seguro do que o IPv4.


No entanto, não podemos ser passionais e ignorar o fato de que o IPv6 é um protocolo apenas recente operacionalmente, o que torna sua adoção ainda pouco representativa atualmente. Isso quer dizer que o IPv6, por ser "novo", traz consigo várias funcionalidades nebulosas em relação ao seu modo de operação e, à medida que sua adoção crescer nas empresas e na Internet, fatalmente surgirão novas modalidades de ataques e novas vulnerabilidades que sequer existiam no IPv4.

Do ponto de vista arquitetural, o IPv6 é realmente mais robusto do que o IPv4, afinal, não podemos esquecer que segurança não era um requisito de projeto na concepção do IPv4, ao contrário do processo de concepção do IPv6 em que segurança foi um dos critérios mais relevantes na escolha da proposta que daria origem ao chamado IPng, ou IP de próxima geração, que posteriormente foi denominado IPv6. Tanto é que o protocolo IPSec foi criado para o IPv6 e somente depois foi aproveitado para operar sobre o IPv4. 

Essa afirmação "folclórica" de que o IPv6 é um protocolo mais seguro vem do fato de ele possuir suporte nativo ao IPSec. Por isso, muitas pessoas pensam que todo o tráfego v6 sempre é criptografado automaticamente sem nenhuma intervenção ou configuração do administrador - o que NÃO é verdade! O fato de IPSec estar embutido nos dispositivos (suporte nativo) não quer dizer que a solução de segurança seja autoconfigurada. Ao contrário, as principais soluções de segurança, a exemplo de autenticação e criptografia, deverão ser manualmente configuradas pelo administrador, de maneira bastante similar ao que já é feito atualmente com o IPv4. 

No decorrer do livro essa discussão é aprofundada, oportunidade em que apresento um tópico delicado e muitas vezes polêmicos: o fim do NAT no IPv6! ;-) Além dessa discussão, no livro apresento ao leitor os principais ataques conhecidos, bem como os respectivos mecanismos de defesa recomendados para mitigar esses ataques. Os links abaixo direcionam vocês para outros artigos que escrevi no blog e que trazem vários exemplos de configurações de segurança para IPv6 em roteadores e também em sistemas operacionais:


Por fim, aproveito a oportunidade para compartilhar um vídeo recém produzido pelos colegas do NIC.br, em que essa discussão é abordada em apenas 10 minutos! Vale a pena conferir...

Samuel.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Gerenciamento e Monitoramento de Redes

Olá Pessoal.

Parte das tarefas do profissional de TI é a resolução de problemas técnicos na rede de computadores, ou seja, a correção de um problema assim que ele ocorre. Porém, como em outras situações, a prevenção é melhor do que a correção, por isso é importante monitorar o ambiente. Além disso, uma rede de grande porte não pode ser gerenciada unicamente pelo esforço humano e requer o uso de ferramentas automatizadas para fazer o monitoramento dos dispositivos da infraestrutura. 

Compartilho abaixo uma série recentemente produzida pelo NIC.br com vários vídeos didáticos sobre gerenciamento de redes, onde são abordados tópicos que contemplam desde boas práticas de gerenciamento, até ferramentas de monitoramento baseadas no protocolo SNMP.

Samuel.







terça-feira, 4 de novembro de 2014

Diferenças na Fragmentação de Pacotes em IPv4 e IPv6

Olá Pessoal.

No meu livro intitulado "IPv6 - O Novo Protocolo da Internet", especificamente na sub-seção dedicada aos chamados cabeçalhos de extensão (figura), explico ao leitor que uma das diferenças entre o tradicional IPv4 e o "novo" IPv6 está no processo da fragmentação de pacotes. Essa discussão é uma boa oportunidade para compartilhar um excelente vídeo recém publicado pelo NIC.br que explica essa diferença de maneira bem ilustrada.


No IPv4, a funcionalidade de fragmentação dos pacotes era responsabilidade do próprio cabeçalho principal por meios dos campos: (i) Identificação, (ii) Flags e (iii) Fragmentação. Acontece que a fragmentação somente é necessária quando um pacote se torna maior do que o limite máximo permitido pela tecnologia em operação, o que é denominado MTU (Maximum Transmission Unit).

Um diferencial vantajoso do IPv6 é que a fragmentação não ocorre mais nos dispositivos intermediários (roteadores), mas somente na origem do tráfego. Quando um roteador determina que um pacote ultrapassou o MTU, ele retorna uma mensagem para a origem ficar ciente de que deve fragmentar os pacotes. A partir de então a origem faz uma fragmentação dos pacotes e utiliza o cabeçalho de extensão denominado Fragmentation para sinalizar o vínculo entre os pacotes fragmentados e, assim, o destinatário fica ciente do processo de fragmentação realizado pela origem que consegue recuperar o pacote original.  

Samuel.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

CGNAT na Transição IPv6: Solução ou Vilão?

Olá Pessoal.

O Carrier Grade NAT (CGN) ou Large Scale NAT (LSN), definido na RFC 6264, é uma técnica de tradução de grande porte que vem sendo praticada por algumas operadoras de telecomunicações que não possuem mais endereços IPv4 disponíveis e, portanto, se encontram em situação crítica. Essa prática consiste em aplicar o NAT na própria rede da operadora, antes mesmo de chegar ao usuário, entregando para seu cliente um endereço privado, conforme ilustrado na figura abaixo.



Se o NAT (também chamado de NAT44), por si só, já é uma agressão aos princípios arquiteturais da Internet por quebrar o modelo fim-a-fim e tornar o funcionamento de algumas aplicações mais complexo, o CGN é ainda mais grave porque implica na prática daquilo que chamamos de NAT444 ou pejorativamente de "NAT do NAT".

Um primeiro problema do NAT444 é o uso de endereços privados 10/8, 172.16/12 e 192.168/16 da RFC1918, afinal, existe a possibilidade de haver conflito entre os planos de endereçamento utilizados nas redes internas dos clientes e das operadoras. Para "sanar" esse problema e evitar o conflito de endereços, a RFC6598 reserva o prefixo 100.64.0.0/10 como sendo uma faixa privada não roteável na Internet e de uso exclusivo das operadoras. 

Ao se quebrar o modelo fim-a-fim, perde-se a possibilidade de alcançabilidade "direta" entre os pontos (em layer-3), o que torna o gerenciamento e a configuração da rede mais complexa. No entanto, a empresa (ou usuário residencial) ainda tem autonomia para criar políticas de redirecionamento (port-forwarding) através da escrita de regras em seu roteador de borda, permitindo que seu único endereço público possa direcionar o usuário externo às suas aplicações internas que estão escondidas da Internet por obscuridade. 

Com o NAT444, essa autonomia deixa de existir, porque o endereço público que tem alcançabilidade na Internet é de posse da operadora apenas, não mais da empresa. Dessa forma, os administradores da rede vão depender da ação conjunta das operadoras para que as políticas de redirecionamento de tráfego sejam escritas nos próprios roteadores da operadora, o que traz consigo vários problemas para os clientes e também para as operadoras.

Essa prática literalmente acaba com a autonomia da empresa/usuário em criar suas políticas de redirecionamento, afinal, ela fica totalmente dependente da operadora para "auxiliar" nesse processo, o que compromete a flexibilidade, escalabilidade e segurança. Cabe destacar que essa técnica é ruim, inclusive para a operadora, afinal, "administrar" as políticas individuais dos seus clientes é oneroso.

Além disso, para aqueles que sempre defenderam o NAT como medida de segurança (o que ele nunca foi, já que NAT foi criado para economizar IPs), a segurança do ambiente fica comprometida. Com CGNAT a operadora conhece detalhadamente quais portas/serviços estão em execução nos servidores privados, ou seja, é o fim da obscuridade para aqueles que defendiam essa prática e o começo da "iluminação absoluta"!

Essa discussão é aprofundada no meu livro intitulado "IPv6 - O Novo Protocolo da Internet", por isso sugiro sua leitura para os interessados no assunto. Por fim trago mais um vídeo produzido pelo NIC.br, dessa vez apresentando o CGNAT.

Samuel.


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Bem-Vindo IPv6, "Adeus" IPv4...

Olá Pessoal.

No livro "IPv6 - O Novo Protocolo da Internet" explico ao leitor que a transição completa até chegarmos à Internet puramente IPv6 não acontecerá da noite para o dia e será um processo moroso em virtude da ampla disseminação do IPv4. Apesar de o IPv6 ser a evolução natural da Internet e mesmo as pessoas tendo noção da importância em adotá-lo para viabilizar o crescimento da Internet, é inegável que o grau de penetrabilidade do IPv4 no mercado acaba criando uma zona de conforto que, aliada à escassez de profissionais preparados para lidar com o IPv6 e ao custo de investimento na aquisição de novos equipamentos, implicam nessa morosidade no processo de transição.

Até que essa transição seja concretizada, o que pode levar alguns anos, provavelmente mais que uma década, teremos duas "ilhas" da Internet operando em paralelo, uma baseada em IPv4 e outra em IPv6. Para que o usuário não seja prejudicado em relação à sua percepção do conteúdo existente na Internet, será crucial a adoção de mecanismos de transição que viabilizem a comunicação entre essas duas ilhas, o que não é uma tarefa simples, porque, ao contrário do que muitos pensam, ambos os protocolos não são diretamente compatíveis entre si.

Às técnicas que viabilizam a interoperabilidade entre as "ilhas" IPv4 e IPv6 e que, portanto, mantêm a Internet como sendo uma só para os usuários, apesar da complexidade da coexistência entre os dois protocolos, damos o nome de mecanismos de transição. Existe uma grande diversidade de mecanismos para tornar possível a interoperabilidade IPv4-IPv6, no entanto, de maneira geral, todos eles podem ser classificados em três categorias: (1) pilha-dupla, (2) tunelamento e (3) tradução

Os curiosos que ainda não têm conexão IPv6 nativa disponibilizada pelos seus provedores, podem optar pelos serviços gratuitos de Tunnel Broker oferecidos por empresas provedoras de conectividade. Os dois principais serviços de tunnel broker são da Hurricane Electric e da SixXS. O único que possui ponto de presença (PoP) no Brasil é o SixXS, oferecido de maneira colaborativa por um conjunto de empresas e que tem ampla presença em todo o mundo. O PoP da SixXS no Brasil é responsabilidade da CTBC, uma empresa do grupo Algar Telecom, localizada em Uberlândia (MG). Esse PoP provê túneis com prefixos /64, que são gerados a partir do prefixo 2001:1291:200::/48 .




Essa discussão é aprofundada com grande nível de detalhamento no livro, inclusive com exemplos de configuração. O fato de existir essa diversidade de técnicas possíveis para auxiliar no processo de transição torna difícil para os profissionais da área a tarefa de optar por uma ou outra, até mesmo porque cada ambiente possui suas particularidades. Para finalizar, aproveito a oportunidade para compartilhar mais uma série de vídeos produzida pelo NIC.br que discorre sobre esse assunto. Por enquanto está disponível apenas a primeira parte, por isso estarei incorporando as demais partes nesse post à medida que forem disponibilizadas. 

Acompanhem...






sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Conceitos Básicos de Roteamento Interno e Externo

Olá Pessoal.

Novamente estou divulgando um novo vídeo produzido pelo NIC.br, dessa vez explicando os princípios mais básicos relacionados às técnicas de roteamento que são tão importantes na comunicação entre redes, seja no contexto de uma organização (IGP) ou mesmo na Internet (EGP). 


Aproveito a oportunidade para lembrar de outros dois artigos publicados no blog onde explico ao leitor como configurar roteamento estático no Linux em redes baseadas no tradicional IPv4 e também no IPv6. Além dos laboratórios com os procedimentos de configuração, também há a gravação de uma palestra prática que ministrei na Campus Party, a convite dos amigos do NIC.br, onde faço a configuração de roteamento estático IPv6 no Linux.
 

No meu livro intitulado "Laboratórios de Tecnologias Cisco em Infraestrutura de Redes" existem vários laboratórios práticos que explicam os procedimentos de configuração de roteamento estático em roteadores Cisco, além dos principais protocolos de roteamento dinâmico, a destacar: RIP, OSPF e EIGRP (IGPs) e BGP (EGP). Também existe outro artigo que escrevi para o Blog IPv6.br do NIC.br em que discorro um pouco sobre os principais conceitos de roteamento, inclusive trazendo duas videoaulas de configuração de roteamento IPv6 em dispositivos Cisco.


Enfim, são vários os materiais de estudo para os interessados! ;-)

Samuel.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Estratégia de Implantação do IPv6 nas Empresas

Olá Pessoal.

O vídeo abaixo, recém lançado pelo NIC.br, apresenta uma abordagem válida que toda empresa pode adotar como estratégia para implantação do IPv6 e que envolve todo o escopo de TI, levando em consideração recursos humanos e recursos de hardware (equipamentos) e software (sistemas).

Como ferramenta para a fase de treinamento do pessoal técnico envolvido no processo de implantação, recomendo a leitura do livro intitulado "IPv6 - O Novo Protocolo da Internet", de minha autoria. O livro foi escrito com uma abordagem bastante didática e está repleto de ilustrações para facilitar o entendimento dos conceitos, além de trazer vários exemplos de configuração. 

Um diferencial relevante é que o conteúdo do livro foi baseado no programa educacional mundial do IPv6 Forum (v6Education Program), sendo que o prefácio foi escrito pelo próprio fundador/presidente do IPv6 Forum, o Sr. Latif Ladid! Por isso o livro é considerado material oficial de certificação em IPv6 nos países de língua portuguesa. Mais informações no link abaixo:


Bons Estudos!

Samuel.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Os Endereços IP (NIC.br)

Olá Pessoal.

O objetivo desse post é apenas compartilhar mais uma série de vídeos do NIC.br, explicando que os endereços IP não são todos iguais. Os vídeos explicam de maneira simples os conceitos básicos relacionados aos endereços IPv4 e IPv6. Caso sejam produzidos novos vídeos da série estarei incorporando nesse mesmo post, acompanhem...

Samuel.



quarta-feira, 16 de julho de 2014

A Internet das Coisas (IoT)

Olá Pessoal.

No meu livro intitulado "IPv6 - O Novo Protocolo da Internet", logo na introdução, explico que tenho o hábito de organizar a cronologia da Internet em três fases (ou gerações) para entender as várias mudanças decorrentes do seu processo de evolução, a saber:

  1. Internet das Máquinas
  2. Internet das Pessoas
  3. Internet das Coisas

A Internet originalmente foi concebida para conectar máquinas, que são dispositivos fixos e, por essa razão, fazemos referência a essa era como a "Internet das Máquinas". Fica evidente que nessa primeira era não existe nenhum suporte à mobilidade, afinal prédios não andam por aí! ;-)

A popularização comercial da Internet (web) a partir da década de 1990 e a disseminação maciça dos dispositivos móveis a partir do início do século XXI deram origem a uma nova era em que o elemento mais importante deixa de ser a máquina e passa a ser o próprio usuário. Nessa era, as pessoas estão conectadas às redes sociais da Internet em qualquer lugar, por meio de vários dispositivos, seja um computador tradicional ou dispositivo móvel, a exemplo de tablets e smartphones. 

Atualmente estamos passando por um período de transição para a chamada Internet das coisas, ou IoT (acrônimo de Internet of Things), em que qualquer coisa poderá estar conectada à Internet para os mais diversos fins. Por exemplo, os carros terão endereços e estarão conectados à rede, o que já é uma realidade em alguns veículos lançados no mercado. Além disso, poderemos conectar os televisores, as geladeiras, as cafeteiras, sensores telemétricos, as lâmpadas, as fechaduras da nossa casa e qualquer outra coisa. 

Isso é possível graças à evolução da eletrônica embarcada, que viabiliza a construção de chips cada vez menores e com maior poder computacional. Contudo, é importante destacar que todo esse avanço ubíquo na conectividade somente será realmente viável quando tivermos o IPv6 efetivamente operacional na Internet, afinal o IPv4 não suporta essa quantidade de dispositivos.

É no contexto dessa discussão que gostaria de compartilhar com vocês mais um excelente vídeo produzido pelo amigo Moreiras do NIC.br (e sua equipe). O vídeo traz uma apresentação bastante didática sobre o nascimento dessa nova fase na Internet.

Samuel.


quinta-feira, 27 de março de 2014

Como Funciona a Internet

Olá Pessoal

Nesta postagem estou compartilhando mais uma série de vídeos do NIC.br, dessa vez sobre o funcionamento da Internet. Os vídeos são intitulados "Como Funciona a Internet?" e explicam de maneira bem simples alguns dos conceitos básicos mais importantes. Estarei incorporando as próximas partes da série neste post, assim a sequência fica mais organizada. Acompanhem...

Samuel.







Planejamento de Endereçamento IP

Olá Pessoal.

Gostaria de compartilhar com vocês a primeira parte de mais um dos vídeos produzidos pelo amigo Moreiras do NIC.br (e sua equipe). O vídeo é intitulado "Como Fazer um Bom Endereçamento IP" e traz uma visão geral sobre o processo de planejamento de endereçamento IP, cujo objetivo é tornar o ambiente mais escalável e mais fácil de gerenciar. À medida que novas partes forem publicadas, estarei incorporando nessa postagem para manter o conteúdo mais organizado. Acompanhem...

Samuel.



sábado, 15 de março de 2014

A Hora Certa na Internet Brasileira

Olá Pessoal.

Gostaria de compartilhar com vocês mais um vídeo produzido pelo amigo Moreiras do NIC.br, intitulado "A Importância da Hora Certa na Internet e o NTP.br". Esse vídeo aborda de maneira sucinta (e clara) o motivo pelo qual é importante que o horário dos dispositivos da Internet estejam sincronizados e explica como o NTP.br ajuda nesse processo. Podemos setar o horário dos dispositivos manualmente, mas esse método é pouco confiável e pode implicar em sérios problemas de gerenciamento e monitoramento, principalmente em relação a logs.




O vídeo explica que o NTP.br é um serviço público nacional disponibilizado pelo NIC.br, em parceria com o Observatório Nacional, que provê a sincronização do horário oficial brasileiro através de servidores gratuitos rodando o NTP (Network Time Protocol). Aproveito a oportunidade do tópico para trazer ao leitor o passo-a-passo de como configurar um roteador/switch da Cisco com o protocolo NTP para utilizar os serviços disponibilizados pelo NTP.br. Essa configuração é bastante simples e pode ser rapidamente realizada através das seguintes linhas de comando:

01. Router# conf t
02. Router(config)# ntp server 200.160.7.186
03. Router(config)# clock timezone BR -3 0 
04. Router(config)# clock summer-time BRV recurring 3 Sun Oct 0:00 3 Sun Feb 0:00
05. Router(config)# service timestamp debug datetime msec localtime show-timezone year
06. Router(config)# service timestamp log datetime msec localtime show-timezone year

No roteiro acima foi utilizado o servidor "a.st1.ntp.br" (do NTP.br) que responde pelo IP 200.160.7.186 (linha 2). O relógio dos equipamentos trabalha sincronizado com o UTC de cada região (o padrão é 0) e por isso precisamos da terceira linha para setar o UTC do Brasil (que é -3).

O NTP não trata da questão do horário de verão, ou seja, quando entramos ou saímos do horário de verão o relógio não é alterado. Por isso informamos a linha 4 para fazer os ajustes manuais referentes ao nosso horário de verão nacional. Como exemplo, em 2013/2014 o horário de verão teve início no terceiro domingo de outubro (20/10/2013) e terminou no terceiro domingo de fevereiro (16/02/2013). 

Nas linhas 5 e 6 informamos ao IOS que passe a anexar o horário sincronizado em todos os seus registros de log e debug, uma boa prática que pode facilitar muito na detecção de problemas a partir da leitura de logs. Reparem que essas linhas são opcionais e não são necessárias para o funcionamento do NTP, no entanto essa prática é realmente muito recomendada!

Abraço.

Samuel.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

IPv6 p/ Leigos em Português Claro

Olá Pessoal.

O Blog LabCisco tem um papel importante não apenas na disseminação de conteúdo especializado direcionado para a comunidade técnica da área de computação, redes e telecomunicações. Na condição de membro da Internet Society (ISOC), compartilhamos a missão de defender a Internet enquanto direito fundamental dos homens por ser uma importante ferramenta responsável pela preservação da nossa liberdade de expressão.

Aqueles que não são profissionais da área de computação também precisam estar cientes da importância do IPv6 para o "futuro" da Internet (o termo mais correto seria presente), afinal são usuários! Esse vídeo foi produzido pelo amigo Antonio Moreiras do NIC.br e certamente irá ajudar aquele pessoal leigo a entender a importância da adoção do IPv6 na Internet em caráter de urgência.


Compartilhem com seus amigos leigos e também com sua família! ;-)

Abraço.

Samuel.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Novo Exame CCNA da Cisco é Divulgado

Olá Pessoal.

Recentemente a Cisco divulgou em sua página as informações detalhadas sobre o tão esperado novo exame CCNA, uma das certificações mais prestigiadas na área de redes. O novo exame único que confere ao candidato o título de CCNA R&S agora corresponde à numeração 200-120 CCNA (Interconnecting Cisco Networking Devices: Accelerated)
 

As regras anteriores acerca da possibilidade de dividir o conteúdo em dois exames - o ICND1 (640-822) e ICND2 (640-816) - continuam valendo normalmente. O detalhe é que esses dois exames também foram renumerados, passando a ser: ICND1 (100-101) e ICND2 (200-101). Até setembro/2013 os exames "antigos" têm a mesma validade que os novos para obtenção dos títulos...

Fica evidente que a primeira mudança mais direta foi a numeração que deixou de ser 640-80X. Esse remanejamento na numeração mostra o interesse da Cisco em transformar o CCNA tradicional com foco em roteamento/comutação em uma nova especialização, a track Routing & Switching (R&S). Isso acontece porque o pré-requisito para a maioria das demais especializações passa a ser o CCENT (100-101), não mais o CCNA. Ou seja, o pré-requisito do CCNA agora é o mesmo das demais especializações... 

pessoas que entendem que esse panorama irá diminuir o valor de mercado do CCNA que agora fica menos generalista porque não irá mais cobrir nem o básico de wireless e voice, sendo que a cobrança de segurança (security) também diminui bastante, a exceção da escrita de ACLs que se mantém forte porque é muito importante em inter-redes roteadas. O exame fica vigorosamente focado em Routing & Switching

Ao meu ver, essas mudanças da Cisco têm a intenção de fortalecer e aumentar o interesse dos profissionais da área nas demais especializações que foram recentemente criadas, já que agora todas ficam niveladas com o CCNA R&S.

Em relação ao conteúdo abordado, talvez a maior surpresa seja que o MPLS não passará a compor o novo currículo (exceto noções teóricas básicas), algo que era esperado por muitos (inclusive eu) por conta da disseminação dessa tecnologia de longa distância em ambientes corporativos. Enfim, o fato é que a tecnologia Frame-Relay permanece sendo a principal tecnologia WAN que o candidato deve conhecer conceitualmente e na prática! Passa a ser cobrado conhecimento de configuração de WAN PPPoE.

Outra mudança que já era esperada e se confirmou foi um aumento na carga de conteúdo relacionado ao "novo" protocolo IPv6. Esse é um movimento natural e, a partir de agora, o grau de importância do IPv6 irá crescer desenfreadamente por dois motivos simples: (i) o esgotamento dos endereços IPv4 é uma realidade em vários locais e (ii) existe uma expectativa enorme na chamada Internet das coisas! Para essa "onda" da Internet das coisas vingar, o IPv6 é fundamental! 

Achei excelente que agora passa a ser cobrado do candidato conhecimentos de FHRP (First Hop Redundancy Protocol) para fins de alta disponibilidade, principalmente o protocolo HSRP que é proprietário da Cisco. Sem dúvida esse conteúdo é muito bem-vindo, afinal essa é uma tecnologia disseminada no mercado.

Quanto aos demais conteúdos, outras novidades são: PPPoE, IOS v15, Syslog, NTP, SNMPv2/3 e Troubleshooting (resolução de problemas). Os interessados no detalhamento do novo currículo na íntegra podem acessar o link oficial da própria Cisco:

http://www.cisco.com/web/learning/exams/list/ccna_composite2.html#~Topics

Vídeo da Cisco p/ Instrutores - Novo Currículo CCNA 5.0

Em síntese a grande realidade é que as mudanças de conteúdo foram bem discretas, o que é bom para aqueles que já vinham estudando para se tornar CCNA com base no conteúdo "antigo". No meu entendimento, as mudanças reais foram mais de cunho comercial para fortalecer as demais especializações no mercado do que de caráter curricular. Outro reflexo das mudanças é que o processo de ensino através do NetSpace (plataforma online da Academia Cisco) ficou bastante flexibilizado, pois existem várias opções de módulos que podem ser utilizados para compor o currículo CCNA 5.0.

Abraço.

Samuel.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Dispositivos de Interconexão em Infraestrutura de Redes

Olá Pessoal.

A série "Informatize-se" é uma produção da TV-UNIMEP em conjunto com os cursos da área de computação da universidade. A série é composta de programas de curta duração em que os professores dão dicas rápidas de informática, abordando tópicos de interesse da comunidade por meio de uma linguagem didática para leigos. Para aqueles que tiverem interesse em acompanhar seu conteúdo, os programas são veiculados no Canal 13 da NET (em Piracicaba e região) e também na Internet através do link abaixo:


Os vídeos abaixo fazem parte da nova temporada de programas que foram gravados em 2013 e neles eu faço uma breve discussão sobre a importância do switch (um dispositivo concentrador) e do roteador nas redes de computadores.



Programa Informatize-se: Switch
 


Programa Informatize-se: Roteador


Abraço.

Samuel.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Protocolo EIGRP da Cisco Será Publicado em RFC

Olá Pessoal.

No último evento "Cisco Live!" que ocorreu em Londres (28/jan a 01/fev ) a Cisco anunciou oficialmente que estará publicando as especificações do protocolo EIGRP em RFC, conforme entrevista cedida por Donnie Savage, um dos desenvolvedores do protocolo original.


Com essa manobra o tradicional EIGRP "deixará" de ser um protocolo proprietário para fins de roteamento dinâmico, passando a ser um padrão da Internet. Uma vez que o protocolo será padronizado pelo IETF, então qualquer fabricante de dispositivos de rede poderá adotá-lo em seus equipamentos. Quem ganha com isso são as empresas que possuem roteadores de múltiplos fabricantes em sua infraestrutura porque dessa forma haverá interoperabilidade em seus ambientes híbridos.

Essa é uma iniciativa que deve popularizar ainda mais a adoção do EIGRP em várias redes de computadores, haja vista que atualmente o desempenho do EIGRP é tido como um dos melhores entre os protocolos de roteamento dinâmico. 

É interessante destacar a posição da Cisco em relação às concorrentes, afinal Savage deixa claro na entrevista (vejam o vídeo abaixo) que, durante essa fase inicial de padronização do protocolo, a Cisco estará totalmente aberta para dialogar com os demais fabricantes interessados em adotar o EIGRP para assegurar que haverá plena interoperabilidade.




Adendo: Hoje mesmo fui questionado se ao meu ver haverá interesse dos outros fabricantes em efetivamente implementar o EIGRP como solução de roteamento, acredito que sim. Apesar de muita gente estar insatisfeita com o fato da Cisco ter submetido para padronização apenas os recursos mais básicos (não haverá suporte a áreas stub) e de manter a "posse" do protocolo para posterior aperfeiçoamento, é inegável que o EIGRP tem uma fatia representativa do mercado e o interesse em atender os clientes é mais forte (e mais necessário) do que interesses individuais... O mercado é orientado ao CLIENTE!

Nesse meio-tempo vamos aguardar pelos desdobramentos dessa manobra. Vocês já conseguem imaginar como será a configuração do EIGRP no JunOS? Preparem-se para estabelecer vizinhanças EIGRP entre roteadores Cisco e Juniper! ;-)

Abraço.

Samuel.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Vantagens do Cabo de Fibra Óptica

Olá Pessoal.

Uma rede de computadores é um conjunto de duas ou mais máquinas conectadas entre si que se comunicam com a finalidade de compartilhar informação. Para que haja comunicação antes deve existir um elo de ligação entre as máquinas pelo qual o sinal originado em uma ponta possa alcançar seu destino. Esse elo de ligação são os meios de transmissão que podem ser classificados como meios guiados (cabos) ou não guiados (sem fio).  Exemplos de comunicação sem fio são: infravermelho, rádio-frequência e microondas.

Na categoria dos meios guiados os cabos mais comuns que são empregados em redes são os tradicionais cabos metálicos de cobre (par-trançado e coaxial) e a fibra óptica. Diferente dos cabos metálicos que transmitem informação através de sinais elétricos, as fibras ópticas transmitem informação através da LUZ!




O que é a fibra óptica e por que devo utilizá-la? Parece ser algo mais complicado e o tradicional cabo "azul" (par-trançado) é tão comum... Acontece que a fibra óptica tem inúmeras vantagens em relação aos cabos metálicos

1) A primeira grande vantagem da fibra óptica é que ela tem MUITO mais largura de banda do que os cabos metálicos. Para vocês terem uma idéia dessa dimensão, pensem que a fibra ótica tem largura de banda da ordem de THz (1000 GHz), enquanto que o cabo coaxial é da ordem de GHz (1000 MHz) e o par-trançado é da ordem de MHz. Por isso a fibra óptica é o candidato ideal nas redes convergentes que trafegam dados, voz e vídeo - TODAS as redes do "futuro"!

2) Uma vez que a fibra óptica transmite informação através da luz, então ela é totalmente IMUNE a interferências eletromagnéticas geradas por motores elétricos, lâmpadas, outros cabos elétricos, etc. Ambiente industriais que têm incidência de interferência eletromagnética implicam na perda de quadros em redes que utilizam cabos metálicos sem a devida blindagem, por isso a fibra óptica é uma EXCELENTE opção nesses casos.

3) Os limites nominais de comprimento das fibras óticas são bem maiores do que os cabos metálicos, chegando a vários quilômetros de distância. Apenas para fins de comparação, um cabo de par-trançado convencional (Cat5e) tem limite nominal de apenas 100m. Por isso as fibras são ideais como solução de cabeamento de redes de longa distância e são muito empregadas pelas operadoras de telecomunicações. As fibras também são utilizadas para ligar os continentes através dos chamados cabos transoceânicos!

4) Apesar de o processo de fabricação da fibra óptica ser bastante complexo e minucioso (vejam o post de 22/01/2013), a matéria-prima presente na sua composição (areia) é encontrada em abundância na natureza, afinal a fibra é feita de vidro.

5) A espessura de uma fibra óptica é MUITO fina, próximo a espessura de um fio de cabelo. Mais ainda, um cabo óptico é composto de VÁRIAS fibras dentro dele... Ou seja, a moral dessa conversa é que a largura de banda desse meio de transmissão é monstruosa!

Aliás, em redes que utilizam fibras ópticas o gargalo na comunicação está sempre nas interfaces (portas) que conectam os cabos ao dispositivo eletrônico. É no momento que o sinal chega na interface que ocorre a conversão opto-elétrica, ou seja, o sinal do domínio da luz é convertido para o domínio elétrico que é bem mais lento.

No vídeo abaixo eu faço todas essas ponderações de maneira breve!

Abraço.

Samuel.

Programa Informatize-se da TV-UNIMEP

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Nova Carreira da Cisco Focada em Vídeo

Olá Pessoal.

Fiquei sabendo dessa notícia em primeira mão através do Blog CCNA Cisco Certified do amigo Marco Filippetti. Recentemente a Cisco divulgou oficialmente em sua página a mais nova carreira que irá compor outra das várias especializações que existem atualmente, dessa vez com o foco em VÍDEO 




Esse movimento não se trata apenas de uma jogada comercial para faturar mais e "fidelizar" novos profissionais e empresas no mercado, mas também acompanha a expansão da empresa em todos os seguimentos da comunicação, o que justifica as várias especializações que existem atualmente, que são:
 
  • Network (Routing & Switching)
  • Design
  • Security
  • Wireless
  • Data-Center
  • Voice
  • Video
  • Service Provider
  • Service Provider Operations   

O interessante é que para obter o CCNA-Video o candidato terá que se submeter a dois exames: ICOMM e VIVND. Você que é CCNA-Voice deve estar pensando: Mas o exame ICOMM (Introducing Cisco Voice and Unified Communications Administration) é o mesmo que tive que fazer para me tornar CCNA-Voice!!! Exatamente! Isso quer dizer que para quem já é CCNA-Voice basta fazer um único exame para se tornar CCNA-Video.

Fala-se sobre uma possível unificação futura das carreiras de voz e vídeo. Eu particularmente acredito nessa unificação VV (Voice + Video), afinal voz e vídeo são conteúdos multimídia que têm o mesmo fundamento, apesar de diferenças notáveis como consumo de banda. No meu entendimento, "Multimídia" seria o nome mais adequado para uma track (carreira) envolvendo voz e vídeo, mas essa mudança de nome não deve acontecer por questões comerciais ($). 

Penso que o detalhe mais importante para justificar uma track específica para vídeo é que existem diferentes formas de aplicação dessa natureza. Por exemplo, aplicações de teleconferência e vigilância têm requisitos de desempenho bem diferentes! E essas são particularidades que não interessariam operacionalmente para um profissional focado em voz...

Depois de dar uma olhada no currículo do novo exame de vídeo, pude confirmar que meu pensamento está coerente. A Cisco está apostando na carreira de vídeo como complemento da carreira de voz e as duas principais aplicações de vídeo que serão abordadas no exame serão exatamente teleconferência e vigilância.

Partindo dessa lógica de que o CCNA-Video é um complemento do CCNA-Voice, então tenho mais indícios para acreditar na unificação, nem que seja uma unificação "forçada" pelo mercado!!! Como assim "forçada" pelo mercado? Acontece que o profissional de vídeo terá como pré-requisito ser profissional de voz, logo ele será mais atrativo para o mercado. Por outro lado o profissional de voz que focar APENAS em voz irá ficar para trás nesse sentido! 

Diante disso, minha dica é que os profissionais interessados em voz  passem a olhar o vídeo com carinho, passem a olhar o tráfego de natureza multimídia. Embora essas duas áreas possam parecer distintas num primeiro momento, não são... A teleconferência tende a ser uma evolução natural das tradicionais chamadas de voz, afinal a infraestrutura das redes está evoluindo para aquilo que alguns anos atrás chamávamos de "Redes de Próxima Geração". Hoje essas redes são reais e denominadas Redes Convergentes. 


Para os interessados, fica registrada a novidade! 

Abraço.

Samuel.