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quarta-feira, 1 de março de 2017

VPN IPSec Site-to-Site no Debian GNU/Linux

Olá Pessoal,

No Lab27 do livro Laboratórios de Tecnologias Cisco explico ao leitor como configurar dois roteadores Cisco para estabelecer uma VPN IPSec  e conectar duas redes locais (LAN) remotamente através da Internet (site-to-site). Neste artigo trago um laboratório bastante similar com base na topologia apresentada na figura abaixo, só que dessa vez irei fazê-lo através de utilização de dois servidores instalados com o Debian 8 GNU/Linux que serão configurados como roteadores VPN


Antes de abordar as configurações, é importante um pouco de discussão sobre a escolha de uma solução de VPN para ambientes Linux. Por se tratar de um ambiente aberto, no Linux existe uma grande diversidade de soluções que podem ser utilizadas para implementar uma VPN para fins de estabelecimento de um túnel virtual privativo entre duas (ou mais) unidades remotas. Além de existirem várias ferramentas, também existem diferentes tipos de soluções para implementação da VPN, o que faz com que o primeiro desafio de um administrador seja a escolha da solução mais adequada no contexto do seu ambiente.

As VPNs são tradicionalmente implementadas através de túneis IPSec (solução padronizada em RFC) ou de túneis SSL/TLS. As duas abordagens trazem excelentes resultados, mas é importante ter em mente que a solução IPSec é implementada em nível de rede, enquanto que a solução TLS é implementada em nível de aplicação. De maneira simplista isso quer dizer que uma VPN IPSec é implementada diretamente entre os roteadores (em nível de rede), enquanto que uma VPN TLS é implementada entre os softwares servidor/cliente (em nível de aplicação).

Cada uma dessas modalidades tem vantagens e desvantagens. Por exemplo, como a VPN TLS é estabelecida entre as aplicações (e não entre as máquinas), normalmente ela é mais atrativa para a criação de VPNs do tipo client-to-site, em que o objetivo é que um cliente em casa ou outro local fora da empresa possa se conectar aos recursos da infraestrutura de rede da empresa, afinal o próprio software cliente da máquina do usuário se encarrega de esconder do usuário toda a complexidade de configuração da VPN. Por outro lado, a principal vantagem de implementar uma VPN através do IPSec em nível de rede, ao invés do SSL em nível de aplicação, é que existe interoperabilidade entre as soluções de diferentes fabricantes.

Obs.: Reocmendo a leitura do artigo no link abaixo caso o leitor tenha interesse em estabelecer uma VPN através da integração de uma ponta que possui um roteador Cisco (baseado no IOS) e outra ponta que possui um servidor Linux Debian (baseado no strongSwan):

http://www.cisco.com/c/pt_br/support/docs/ip/internet-key-exchange-ike/117258-config-l2l.html

Particularmente neste artigo o objetivo é trazer os procedimentos de configuração de uma VPN IPSec para interconexão de duas unidades remotas de uma empresa através de um túnel virtual. Mesmo depois de tomada essa decisão, ainda existem várias ferramentas no Linux que podem ser utilizadas para esse fim, por exemplo: strongSwan, OpenSwan, LibreSwan, etc... Uma das soluções mais tradicionais é o strongSwan, já que seu desenvolvimento ainda é bastante ativo e por isso a ferramenta é repleta de novos recursos, diferente do OpenSwan que parece estar estagnado apenas para versões antigas do kernel.


Abaixo baixo trago as configurações básicas de rede que foram utilizadas em cada um dos roteadores Debian, seguindo a lógica da topologia apresentada no início do artigo. Além das configurações abaixo, também é importante alterar para 1 a flag do kernel que indica ao sistema que ele tem permissão para fazer roteamento entre redes, o que pode ser feito através do comando: sysctl -w net.ipv4.ip_forward=1

###--- Router-Site1: /etc/network/interfaces

# Interface Loopback
auto lo
iface lo inet loopack

# Conexao WAN (Internet)
auto eth0
iface eth0 inet static
    address 203.0.113.2
    netmask 255.255.255.252
    gateway 203.0.113.1

# Conexao LAN
auto eth1
iface eth1 inet static
    address 192.168.100.1
    netmask 255.255.255.0



###--- Router-Site2: /etc/network/interfaces

# Interface Loopback
auto lo
iface lo inet loopack

# Conexao WAN (Internet)
auto eth0
iface eth0 inet static
    address 198.51.100.2
    netmask 255.255.255.252
    gateway 198.51.100.1

# Conexao LAN
auto eth1
iface eth1 inet static
    address 192.168.200.1
    netmask 255.255.255.0

Vamos à configuração da VPN IPSec...

1) Instalação do Serviço strongSwan de VPN IPSec

Feita essa breve contextualização, vamos à instalação da ferramenta strongSwan. Assim como nos outros artigos do blog, estou considerando que os servidores estão instalados com a distribuição Debian GNU/Linux (ou seus derivados, como o Ubuntu). A primeira etapa consiste na instalação do pacote denominado strongswam para que os servidores Linux possam ser posterirmente configurados como roteadores VPN. Essa tarefa é simples e rápida através do APT:

root@Router-SiteA:/# apt-get update
root@Router-SiteA:/# apt-get install strongswan

root@Router-SiteB:/# apt-get update
root@Router-SiteB:/# apt-get install strongswan

2) Edição do Arquivo de Configuração e Definição da(s) VPN(s)

Dois dos arquivos mais importantes de configuração do strongSwan ficam localizados em /etc/ipsec.conf e /etc/ipsec.secrets.  O arquivo ipsec.conf é responsável pelas configurações gerais, além das configurações específicas de cada uma das conexões VPN. Logo, devemos editar esse arquivo em ambos os roteadores com as seguintes configurações para criar uma VPN coerente entre os pares:

###--- Router-Site1: /etc/ipsec.conf (strongSean IPSec config file)

###--- Configuracoes Gerais
config setup
        charondebug="all"
        uniqueids=yes
        strictcrlpolicy=no

###--- Definicao da(s) VPN(s)
conn VPN-Site1-to-Site2
        left=203.0.113.2
        leftsubnet=192.168.100.0/24
        right=198.51.100.2
        rightsubnet=192.168.200.0/24
        ike=aes256-sha2_256-modp1024!
        esp=aes256-sha2_256!
        keyingtries=0
        ikelifetime=1h
        lifetime=8h
        dpddelay=30
        dpdtimeout=120
        dpdaction=restart
        authby=secret
        auto=start
        keyexchange=ikev2
        type=tunnel
     


###--- Router-Site2: /etc/ipsec.conf (strongSean IPSec config file)

###--- Configuracoes Gerais
config setup
        charondebug="all"
        uniqueids=yes
        strictcrlpolicy=no

###--- Definicao da(s) VPN(s)
conn VPN-Site1-to-Site2
        left=198.51.100.2
        leftsubnet=192.168.200.0/24
        right=203.0.113.2
        rightsubnet=192.168.100.0/24
        ike=aes256-sha2_256-modp1024!
        esp=aes256-sha2_256!
        keyingtries=0
        ikelifetime=1h
        lifetime=8h
        dpddelay=30
        dpdtimeout=120
        dpdaction=restart
        authby=secret
        auto=start
        keyexchange=ikev2
        type=tunnel

Obsrevem nas linhas destacadas em amarelo que os parâmetros left e right fazem referência às pontas da VPN. Para facilitar o processo de cópia do arquivo de configuração nos dois roteadores Linux não faz diferença qual ponta será associada com o parâmetro left ou right, uma vez que o sistema observa as configurações das interfaces de rede para identificar a ponta local. No entanto, é interessante manter as infomações organizadas de forma a utilizar o parâmetro left para fazer referência ao ponto local, enquanto que o parâmetro right fica reservado para o ponto remoto. O leitor interessado em detalhes sobre os demais parâmetros pode obter mais informações na documentação oficial do strongSwan, disponível no link abaixo:

https://wiki.strongswan.org/projects/strongswan/wiki/ConnSection

3) Definição da Chave Pré-Compartilhada (PSK)

O segundo arquivo importante de configuração do strongSwan é o /etc/ipsec.secrets, responsável por armazenar a(s) chave(s) pré-compartilhadas que será(ão) utilizada(s) durante o processo de associação dos pares nas fases prévias de estabelecimento da VPN.  Devemos editar esse arquivo em ambos os roteadores com as seguintes configurações para criar uma VPN coerente entre os pares:

###--- Router-Site1: /etc/ipsec.secrets
203.0.113.2 198.51.100.2 : PSK : 'senha13579senha02468'

###--- Router-Site2: /etc/ipsec.secrets
198.51.100.2 203.0.113.2 : PSK : 'senha13579senha02468'

Obs.: Para fins de simplicidade, neste artigo foi utilizada uma chave pré-compartilhada entre os roteadores VPN. No entanto, também é possível a utilização de certificados digitais e chaves privada/pública para adicionar mais segurança ao processo de estabelecimento do túnel. A configuração de uma VPN com uso de certificados/chaves no strongSwan não é complicada, embora demande alguns passos adicionais. Caso haja interesse dos leitores, essa configuração pode ser objeto  de um próximo artigo no blog.

4) Manipulação e Checagem do Serviço da VPN IPSec

Depois de realizadas as configurações anteriores, a VPN IPSec está devidamente configurada para entrar em operação. Para ativá-la basta utilizar o comando ipsec restart e para visualizar seu status basta utilizar os comandos ipsec status ou ipsec statusall, conforme pode ser observado nas saídas trazidas abaixo:

Router-Site1:/# ipsec statusall
Status of IKE charon daemon (strongSwan 5.2.1, Linux 3.16.0-4-586, i686):
(...) Saída Omitida
Connections:
VPN-Site1-to-Site2:  203.0.113.2...198.51.100.2  IKEv2, dpddelay=30s
VPN-Site1-to-Site2:   local:  [203.0.113.2] uses pre-shared key authentication
VPN-Site1-to-Site2:   remote: [198.51.100.2] uses pre-shared key authentication
VPN-Site1-to-Site2:   child:  192.168.100.0/24 === 192.168.200.0/24 TUNNEL, dpdaction=restart
Security Associations (1 up, 0 connecting):
VPN-Site1-to-Site2[1]: ESTABLISHED 14 seconds ago, 203.0.113.2[203.0.113.2]...198.51.100.2[198.51.100.2]
(...) Saída Omitida
VPN-Site1-to-Site2{1}:  AES_CBC_256/HMAC_SHA2_256_128, 0 bytes_i, 0 bytes_o, rekeying in 7 hours
VPN-Site1-to-Site2{1}:   192.168.100.0/24 === 192.168.200.0/24 

O leitor pode constatar que a configuração de uma VPN IPSec no Linux não é tão difícil quanto alguns dizem. Na realidade, possivelmente essa informação seja decorrente da comparação da configuração de uma VPN IPSec com uma VPN TLS através do OpenVPN que é reconhecida por ser mais rápida e simples.

Ainda é importante destacar que caso os roteadores Debian GNU/Linux estejam conectados atrás de um firewall de borda, é importante liberar as portas 500/UDP (utilizada na troca de chaves do ISAKMP) e 4500/UDP (utilizada pelo NAT-T). Além disso, os pacotes IPSec usam dois numéros dedicados de protocolos na camada de rede: 50 (ESP) e 51 (AH).

Por exemplo, supondo que os roteadores estejam atrás de um firewall baseado em iptables, então é necessário aceitar os pacotes nessas portas e traduzir o endereço público de destino (do firewall de borda) para o endereço privado do roteador VPN, de forma que as regras para liberação do tráfego IPSec seriam as seguintes:

iptables -t nat -A PREROUTING -p udp -d <IP_WAN> --dport  500 -j DNAT --to <IP>
iptables -t nat -A PREROUTING -p udp -d <IP_WAN> --dport 4500 -j DNAT --to <IP>

Caso o roteador Debian GNU/Linux seja o próprio firewall, o que é comum em ambientes menores, então é necessário apenas uma regra de entrada para o ISAKMP, já que não ocorre tradução (NAT-T):

iptables -t filter -A INPUT  -p udp --dport 500 -j ACCEPT

Façam seus testes...

Samuel.

domingo, 12 de janeiro de 2014

VPN Dinâmica Multiponto (DMVPN) em Roteadores Cisco

Olá Pessoal.

Através das VPNs tradicionais acaba sendo inviável implementar uma topologia full-mesh para estabelecimento de todos os links possíveis entre as unidades remotas de uma empresa porque sua complexidade é de ordem exponencial, matematicamente expressada através da fórmula (n²-n)/2. Por exemplo, uma empresa que tenha 5 unidades teria que configurar 10 VPNs para conectar essas unidades através de todas as ligações possíveis: (5²-5)/2 = (25 - 5)/2 = 20/2 = 10.

Uma solução comum para contornar essa complexidade é a implementação de uma topologia hub-and-spoke, de forma que cada filial é conectada apenas com a matriz (ponto central concentrador), o que reduz a quantidade de ligações necessárias à quantidade de unidades remotas. A figura abaixo traz uma imagem comparando essas duas topologias.


Embora a topologia hub-and-spoke resolva o problema da complexidade, ela implica em pior desempenho caso duas filiais queiram se comunicar entre si, uma vez que será necessário trafegar os dados pelo ponto central. Do ponto de vista de desempenho seria mais interessante que as duas filiais tivessem uma VPN diretamente configurada entre elas. A tecnologia de DMVPN (Dynamic Multipoint VPNprovê uma solução escalável para configuração de túneis dinâmicos em ambientes que possuem diversos sites. A vantagem dessa solução é que ela é "simples" de configurar como a topologia hub-and-spoke, mas tem o desempenho otimizado da topologia full-mesh. 

Na configuração de DMVPN é necessário criar VPNs apenas entre as filiais e a matriz (unidade central), no entanto, quando há comunicação entre duas filiais, essa solução estabelece dinamicamente uma VPN temporária para que o tráfego entre as unidades não tenha que passar pelo ponto central. Por conta do overhead inerente a todo processo dinâmico, é recomendado que essa solução seja implementada tendo em mente a regra 80/20, onde 80% do tráfego ocorra entre filiais e matriz e os demais 20% ocorram entre as filiais.

O processo de configuração da DMVPN combina as seguintes tecnologias: Túneis GRE (Generic Routing Encapsulation), IPSec e Protocolo NHRP (Next Hop Resolution Protocol). Para exemplificar sua configuração estarei utilizando como base o cenário apresentado na figura abaixo, onde existem 3 unidades remotas conectadas na Internet. Observem no cenário que R1 representa o ponto central (hub), enquanto que R2 e R3 são spokes.


A principal diferença na configuração de uma DMVPN em relação a uma VPN tradicional é que o roteador no ponto central (hub) irá executar uma instância servidora do protocolo NHRP. As filiais executam uma instância cliente do NHRP, informando automaticamente seus endereços públicos para manter a tabela de pontos (spokes) do servidor sempre atualizada. Quando duas filiais (spokes) vão se comunicar o roteador da filial de origem do tráfego faz uma busca ao servidor NHRP (roteador da matriz) para saber o endereço público de destino da outra ponta. Depois disso já é possível iniciar o processo de estabelecimento de um túnel dinâmico temporário através de uma interface mGRE (multipoint GRE).

Então vamos à configuração de R1 (hub):

01. R1(config)# crypto isakmp policy 10
02. R1(config-isakmp)# hash md5
03. R1(config-isakmp)# authentication pre-share
04. R1(config-isakmp)# exit
05. R1(config)# crypto isakmp key SENHA address 0.0.0.0 0.0.0.0
06. R1(config)# crypto ipsec transform-set NOME esp-3des esp-md5-hmac 
07. R1(cfg-crypto-trans)# exit
08. R1(config)# crypto ipsec profile DMVPN
09. R1(ipsec-profile)# set security-association lifetime seconds 120
10. R1(ipsec-profile)# set transform-set NOME
11. R1(ipsec-profile)# exit
12. R1(config)# int tunnel 0
13. R1(config-if)# ip address 192.168.0.1 255.255.255.0
14. R1(config-if)# ip mtu 1440
15. R1(config-if)# ip nhrp authentication SENHA
16. R1(config-if)# ip nhrp map multicast dynamic
17. R1(config-if)# ip nhrp network-id 1
18. R1(config-if)# tunnel source f0/0
19. R1(config-if)# tunnel mode gre multipoint
20. R1(config-if)# tunnel key 0
21. R1(config-if)# tunnel protection ipsec profile DMVPN
22. R1(config-if)# exit
23. R1(config)# ip route 192.168.2.0 255.255.255.0 192.168.0.2
24. R1(config)# ip route 192.168.3.0 255.255.255.0 192.168.0.3

Em relação à configuração, reparem que o servidor NHRP foi ativado nas linhas 15, 16 e 17; e que o modo do túnel é "gre multipoint" (linha 19). Apenas para constar, as linhas 23 e 24 são rotas estáticas necessárias para direcionar o tráfego destinado às redes locais (LAN) através do endereço do respectivo roteador na VPN Multiponto.

Agora vamos à configuração de R2 e R3 (spokes):

01. R2(config)# crypto isakmp policy 10
02. R2(config-isakmp)# hash md5
03. R2(config-isakmp)# authentication pre-share
04. R2(config-isakmp)# exit
05. R2(config)# crypto isakmp key SENHA address 0.0.0.0 0.0.0.0
06. R2(config)# crypto ipsec transform-set NOME esp-3des esp-md5-hmac
07. R2(cfg-crypto-trans)# exit
08. R2(config)# crypto ipsec profile DMVPN
09. R2(ipsec-profile)# set security-association lifetime seconds 120
10. R2(ipsec-profile)# set transform-set NOME
11. R2(ipsec-profile)# int tunnel 0
12. R2(config-if)# ip address 192.168.0.2 255.255.255.0
13. R2(config-if)# ip mtu 1440
14. R2(config-if)# ip nhrp authentication SENHA
15. R2(config-if)# ip nhrp map multicast dynamic
16. R2(config-if)# ip nhrp map 192.168.0.1 203.0.113.2
17. R2(config-if)# ip nhrp map multicast 203.0.113.2    
18. R2(config-if)# ip nhrp network-id 1
19. R2(config-if)# ip nhrp nhs 192.168.0.1
20. R2(config-if)# tunnel source f0/0
21. R2(config-if)# tunnel mode gre multipoint
22. R2(config-if)# tunnel key 0
23. R2(config-if)# tunnel protection ipsec profile DMVPN
24. R2(config-if)# exit
25. R2(config)# ip route 192.168.1.0 255.255.255.0 192.168.0.1
26. R2(config)# ip route 192.168.3.0 255.255.255.0 192.168.0.3

***

R3(config)#
01. R3(config)# crypto isakmp policy 10
02. R3(config-isakmp)# hash md5
03. R3(config-isakmp)# authentication pre-share
04. R3(config-isakmp)# exit
05. R3(config)# crypto isakmp key SENHA address 0.0.0.0 0.0.0.0
06. R3(config)# crypto ipsec transform-set NOME esp-3des esp-md5-hmac
07. R3(cfg-crypto-trans)# exit
08. R3(config)# crypto ipsec profile DMVPN
09. R3(ipsec-profile)# set security-association lifetime seconds 120
10. R3(ipsec-profile)# set transform-set NOME
11. R3(ipsec-profile)# int tunnel 0
12. R3(config-if)# ip address 192.168.0.3 255.255.255.0
13. R3(config-if)# ip mtu 1440
14. R3(config-if)# ip nhrp authentication SENHA
15. R3(config-if)# ip nhrp map multicast dynamic
16. R3(config-if)# ip nhrp map 192.168.0.1 203.0.113.2
17. R3(config-if)# ip nhrp map multicast 203.0.113.2    
18. R3(config-if)# ip nhrp network-id 1
19. R3(config-if)# ip nhrp nhs 192.168.0.1
20. R3(config-if)# tunnel source f0/0
21. R3(config-if)# tunnel mode gre multipoint
22. R3(config-if)# tunnel key 0
23. R3(config-if)# tunnel protection ipsec profile DMVPN
24. R3(config-if)# exit
25. R3(config)# ip route 192.168.1.0 255.255.255.0 192.168.0.1
26. R3(config)# ip route 192.168.2.0 255.255.255.0 192.168.0.2

Em relação às configurações das filiais (spokes), vale observar que a configuração do NHRP mudou porque agora os roteadores são clientes, por isso a necessidade de fazer manualmente o mapeamento entre o IP da DMVPN com o endereço público de R1 (203.0.113.2). Alguns comandos interessantes para verificar se as configurações estão funcionando são:

Router# show crypto isakmp sa
Router# show crypto ipsec sa
Router# show ip nhrp

Nesse exemplo, sempre que R2 e R3 forem se comunicar, então antes será estabelecida uma VPN dinâmica entre eles, de forma que o tráfego entre R2 e R3 não tenha que ser intermediado por R1. Depois de um tempo sem tráfego entre R2 e R3 o túnel é desativado para economizar recursos dos roteadores, já que as associações criptográficas demandam bastante processamento. 

Abraço.

Samuel.

sábado, 29 de junho de 2013

VPN Site-to-Site Baseada em IPv6

Olá Pessoal.


Essa 25/06/2013 participei de mais um evento "IPv6 no Café da Manhã" realizado pelos colegas do NIC.br. Nessa edição o formato foi de um mini-tutorial com a equipe do IPv6.br e o tema foi "Endereçamento e Planejamento de Redes IPv6". Foi mais um evento de grande qualidade e me lembro de que naquela oportunidade surgiu uma discussão interessante sobre o estabelecimento de túneis virtuais privativos (VPN) em redes IPv6.

Como não houve tempo hábil para detalharmos aquela discussão, então achei por bem continuar essa sequência de artigos sobre IPv6 que venho escrevendo no blog e que seria conveniente registrar um novo artigo mostrando como seria o processo de configuração de uma VPN site-to-site em redes IPv6.

É comum o estabelecimento de VPNs para a comunicação entre unidades remotas de uma empresa (site-to-site), afinal seu custo é convidativo porque a infraestrutura da Internet pública já existente é aproveitada para viabilizar a criação de uma rede privativa virtual, como se a empresa tivesse um link privativo de longa distância, o que não seria barato. Para exemplificar esse processo vamos considerar o cenário apresentado na figura abaixo (clique na imagem para ampliar). Cabe apenas mencionar que a configuração das políticas de segurança do IPSec em VPNs IPv6 é basicamente a mesma que já era realizada em VPNs IPv4 - a solução em si não mudou!


No cenário existem roteadores de borda representando duas unidades de uma empresa, uma localizada em São Paulo (SP) e outra no Rio de Janeiro (RJ). A unidade de SP está conectada à Internet através do link 2001:DB8:AAAA:: e também está conectada à rede local 2001:DB8:CAFE::1/64, enquanto que a unidade do RJ está conectada à Internet através do link 2001:DB8:BBBB:: e também a sua rede local 2001:DB8:CAFE:2::/64.

Com os comandos abaixo será configurada uma VPN através do túnel FD00:CAFE::A/127 (FD00:CAFE::A e FD00:CAFE::B). Reparem que estamos utilizando endereços /127 no túnel porque se trata de um link ponto-a-ponto, além disso também estamos fazendo uso dos endereços privados unique-local (ULA), afinal se trata de um link privativo entre as unidades e que existe “camuflado” por trás dos links com a Internet pública.

> Configuração do Roteador de São Paulo:

01. SP(config)# ipv6 unicast-routing
02. SP(config)# ipv6 route ::/0 2001:db8:aaaa::f
03. SP(config)# interface f0/0
04. SP(config)# description Link-ISP
05. SP(config-if)# ipv6 enable
06. SP(config-if)# ipv6 address 2001:db8:aaaa::1/64
07. SP(config-if)# no shutdown
08. SP(config-if)# exit
09. SP(config-if)# interface f1/0
10. SP(config-if)# description LAN-CAFE-1
11. SP(config-if)# ipv6 enable
12. SP(config-if)# ipv6 address 2001:Db8:cafe:1::1/64
13. SP(config-if)# no shutdown
14. SP(config-if)# exit
15. SP(config)# crypto isakmp key 0 SENHA address ipv6 ::/0
16. SP(config)# crypto isakmp policy 1
17. SP(config-isakmp)# encryption aes 128
18. SP(config-isakmp)# authentication pre-share
19. SP(config-isakmp)# exit
20. SP(config)# crypto ipsec transform-set VPNv6 esp-aes 128 esp-sha-hmac
21. SP(cfg-crypto-trans)# mode tunnel
22. SP(cfg-crypto-trans)# exit
23. SP(config)# crypto ipsec profile VPNv6
24. SP(ipsec-profile)# set transform-set VPNv6
25. SP(ipsec-profile)# exit
26. SP(config)# interface tunnel 0
27. SP(config-if)# description VPN-to-RJ
28. SP(config-if)# ipv6 enable
29. SP(config-if)# ipv6 address fd00:cafe::a/127
30. SP(config-if)# tunnel source f0/0
31. SP(config-if)# tunnel destination 2001:db8:bbbb::1
32. SP(config-if)# tunnel mode ipsec ipv6
33. SP(config-if)# tunnel protection ipsec profile VPNv6

34. SP(config-if)# exit
35. SP(config)# ipv6 route 2001:db8:cafe:2::/64 tunnel 0
 

Os comandos das linhas de 01 até 13 representam apenas as configurações básicas para assegurar conectividade entre as unidades através da Internet, nada que mereça destaque no contexto da configuração de uma VPN IPv6. Nas linhas de 14 a 24 são definidas as políticas de segurança onde informamos a chave compartilhada (SENHA) que será utilizada nas pontas, escolhemos o algoritmo de criptografia (AES de 128 bits), etc. 

 Nas linhas de 25 a 33 é criada uma interface lógica do tipo túnel que representa a VPN propriamente dita, sendo que nessa interface temos que vincular nossa rede privativa com a Internet pública (endereços de origem e destino). Por fim, na linha 34 é criada uma rota estática apontando para rede local da unidade remota através do túnel virtual recém criado. As configurações do roteador localizado no RJ são exatamente a mesmas, mudando apenas os endereços.

> Configuração do Roteador do Rio de Janeiro:

RJ(config)# ipv6 unicast-routing
RJ (config)# ipv6 route ::/0 2001:db8:bbbb::f
RJ(config)# interface f0/0
RJ(config)# description Link-ISP
RJ(config-if)# ipv6 enable
RJ(config-if)# ipv6 address 2001:db8:bbbb::1/64
RJ(config-if)# no shutdown
RJ(config-if)# exit
RJ(config-if)# interface f1/0
RJ(config-if)# description LAN-CAFE-2
RJ(config-if)# ipv6 enable
RJ(config-if)# ipv6 address 2001:db8:cafe:2::1/64
RJ(config-if)# no shutdown
RJ(config-if)# exit
RJ(config)# crypto isakmp key 0 SENHA address ipv6 ::/0
RJ(config)# crypto isakmp policy 1
RJ(config-isakmp)# encryption aes 128
RJ(config-isakmp)# authentication pre-share
RJ(config-isakmp)# exit
RJ(config)# crypto ipsec transform-set VPNv6 esp-aes 128 esp-sha-hmac
RJ(cfg-crypto-trans)# mode tunnel
RJ(cfg-crypto-trans)# exit
RJ(config)# crypto ipsec profile VPNv6
RJ(ipsec-profile)# set transform-set VPNv6
RJ(ipsec-profile)# exit
RJ(config)# interface tunnel 0
RJ(config-if)# description VPN-to-SP
RJ(config-if)# ipv6 enable
RJ(config-if)# ipv6 address fd00:cafe::b/127
RJ(config-if)# tunnel source f0/0
RJ(config-if)# tunnel destination 2001:db8:aaaa::1
RJ(config-if)# tunnel mode ipsec ipv6
RJ(config-if)# tunnel protection ipsec profile VPNv6

RJ(config-if)# exit
RJ(config)# ipv6 route 2001:db8:cafe:1::/64 tunnel 0

Acredito que esse é um caso em que a prática ajuda no entendimento dos conceitos por trás do processo de estabelecimento do túnel em redes baseadas no IPv6. Na opotunidade do evento eu e o colega Antonio Moreiras (do NIC.br) nos esforçamos para tentar explicar esse conceito em tempo mínimo (o assunto não era foco do evento), mas tenho certeza que não ficou claro para todos que estavam presentes ou acompanhando via Internet. Por isso espero que esse artigo possa ajudá-los...

Abraço.

Samuel.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Autenticação IPSec/OSPFv3 no Roteamento IPv6

Olá Pessoal.

No Lab05 do livro "Laboratórios de Tecnologias Cisco" é explicado ao leitor o processo básico de configuração de roteamento em IPv6 através dos principais protocolos de roteamento dinâmico. Quando se começa a estudar o IPv6 conceitualmente, uma das primeiras lições ensinadas aos alunos diz respeito às vantagens do IPv6 em relação ao IPv4 - que são várias:

  • Espaço quase "ilimitado" de endereços;
  • Possui cabeçalho simplificado e de tamanho fixo (40 bytes);
  • Processamento simplificado nos roteadores;
  • Existe uma política internacional de agregação de prefixos;
  • Possui segurança nativa com o IPSec;
  • Suporte a mobilidade com o MIPv6
  • Dispensa a adoção de NAT;

Quando faço essa apresentação em sala de aula, uma primeira confusão muito comum que observo e tenho que corrigir está relacionada à afirmação de que "IPv6 possui segurança nativa com o IPSec". A maioria dos alunos pressupõe equivocadamente que todo o tráfego v6 sempre é criptografado automaticamente sem nenhum intervenção ou configuração do administrador. Essa idéia é ERRADA!

O fato do IPv6 possuir segurança nativa quer dizer que agora a solução de segurança IPSec faz parte da suíte de protocolos da arquitetura TCP/IPv6. Ou seja, se uma "caixa" qualquer tem suporte a IPv6, então nativamente ela deve ter suporte ao IPSec. Dessa forma o IPSec é uma solução de segurança embutida em dispositivos que suportam IPv6, diferente do que ocorre com dispositivos IPv4 em que o profissional de redes tem que estar atento se existe suporte ao IPSec. 

No entanto, o IPSec estar embutido nos dispositivos não quer dizer que a solução de segurança é auto-configurada. As principais soluções de segurança, a exemplo de autenticação e criptografia, deverão ser manualmente configuradas pelo administrador.

Uma vez que o IPSec agora é nativo no IPv6, então as soluções independentes de segurança que os protocolos de roteamento dinâmico utilizavam com IPv4 foram removidas das suas estruturas internas de funcionamento. Dessa forma os métodos de autenticação que eram utilizados em v4 para viabilizar a vizinhança segura entre roteadores mudou bastante, já que agora devemos utilizar o IPSec. Felizmente o processo de configuração do IPSec no OSPFv3 é bem fácil e direto (requer uma única linha de comando), diferente da tradicional configuração do IPSec para outras finalidades.

Para facilitar o entendimento desse conceito a prática é uma ótima ferramenta. Por isso o objetivo desse artigo é mostrar as diferenças na configuração da autenticação da vizinhança entre os protocolos de roteamento dinâmico OSPFv2 (IPv4) e OSPFv3 (IPv6). Para exemplificar esse processo vamos considerar o cenário abaixo que é muito simples, possuindo apenas dois roteadores na Área 0 que irão estabelecer vizinhança OSPF através de um mecanismo de pilha-dupla, ou seja, via IPv4 e IPv6 simultaneamente. 


 

1) Autenticação de Vizinhança no OSPFv2 (IPv4)

R1(config)# router ospf 110
R1(config-router)# router-id 1.1.1.1
R1(config-router)# network 192.168.100.0 0.0.0.255 area 0
R1(config-router)# exit
R1(config)# int s0/0
R1(config-if)# ip ospf authentication message-digest
R1(config-if)# ip ospf authentication-key SENHA  

R2(config)# router ospf 110
R2(config-router)# router-id 2.2.2.2
R2(config-router)# network 192.168.100.0 0.0.0.255 area 0
R2(config-router)# exit
R2(config)# int s0/0
R2(config-if)# ip ospf authentication message-digest
R2(config-if)# ip ospf authentication-key SENHA

2) Autenticação de Vizinhança no OSPFv3 (IPv6)

R1(config)# ipv6 router ospf 160
R1(config-router)# router-id 1.1.1.1
R1(config-router)# exit
R1(config)# int s0/1
R1(config-if)# ipv6 enable
R1(config-if)# ipv6 ospf 160 area 0
R1(config-if)# ipv6 ospf authentication ipsec spi 500 md5 1234560ABCD...EF

R2(config)# ipv6 router ospf 160
R2(config-router)# router-id 2.2.2.2
R2(config-router)# exit
R2(config)# int s0/1
R2(config-if)# ipv6 enable
R2(config-if)# ipv6 ospf 160 area 0
R2(config-if)# ipv6 ospf authentication ipsec spi 500 md5 1234560ABCD...EF


Na linha destacada na configuração do  IPSec/OSPFv3 estamos informando que a autenticação será realizada via IPSec (AH) usando uma chave que deve conter 32 dígitos hexadecimais (observe que no exemplo eu reduzi o tamanho real). Também poderíamos optar por fazer a autenticação (header AH) com criptografia (header ESP) através do comando "ipv6 ospf encryption (...)"

Abraço.

Samuel.