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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Proteção da Topologia STP em Switches Cisco

Olá Pessoal.

Os switches da infraestrutura de uma rede se comunicam entre si através da troca de quadros denominados BPDUs (Bridge Protocol Data Units), permitindo que, através da lógica do protocolo STP (Spanning-Tree Protocol), todos os switches conheçam a topologia da ligação entre eles. A figura abaixo apresenta uma topologia em que o leitor pode observar o ponto em que alguns recursos avançados podem ser configurados para proteger a topologia STP.

Em uma porta que não esteja conectada a outro switch não é esperado o recebimento de BPDUs, por isso o recebimento repentino de BPDUs quer dizer que nela foi conectado um switch e a topologia STP precisa reconvergir, o que pode levar a resultados inesperados. Essa situação pode ser mitigada através dos recursos: (1) Root Guard e (2) BPDU Guard. Em contrapartida é esperado o recebimento de BPDUs em uma porta conectada a outro switch e a interrupção repentina na recepção desses quadros pode levar o switch a tomar decisões incorretas que criam loops temporários, situação que pode ser mitigada através dos recursos: (3) Loop Guard e (4) UDLD.


Fonte: CCNP SWITCH 642-813 - Official Certification Guide (Cisco Press)



1. Proteção ao Recebimento Inesperado de BPDUs

Na lógica do STP é eleito um switch raiz que fica responsável por enviar mensagens "hello" a cada 2 segundos para todos os demais switches da rede com o intuito de manter uma topologia estável e sem loops. Para que essa topologia seja eficiente é importante que o switch raíz seja previsível e configurado de maneira estratégica naquele(s) switch(es) responsável(eis) pela agregação dos demais switches de acesso, assegurando uma topologia simétrica e com menor diâmetro.

O problema é que o STP é um protocolo que opera com base na confiança e "nada" impede que um switch falso seja conectado na rede e venha a assumir o papel de raíz, já que o processo de eleição do raíz basicamente consiste em escolher aquele com o menor número de prioridade configurado na caixa (padrão 32.768) e, em caso de empate, aquele com o menor endereço físico (MAC). Como resolver esse problema? Através dos recursos abaixo...

1.1 ROOT GUARD

Quando um switch com número de prioridade menor é inserido na rede, a topologia STP passa pelo processo de reconvergência assumindo esse switch como o novo raíz, algo que pode ser péssimo porque "bagunça" a organização lógica e torna parte da rede de produção indisponível durante o período de convergência.

O recurso Root Guard foi desenvolvido para controlar onde os switches raízes podem ser conectados na rede. Um switch aprende o Bridge ID do switch raíz da topologia e fica monitorando se algum outro switch anunciará um BPDU mais atrativo nas portas em que o recurso estiver ativado. Caso seja anunciado um BPDU superior em alguma porta ativada com esse recurso, o switch local não permite que esse outro switch se torne raíz e coloca a porta em modo root-inconsistent. Assim que os BPDUs param de ser recebidos, então a porta volta para o estado normal automaticamente.

O recurso root guard deve ser ativado individualmente por porta:

Switch(config-if)# spanning-tree guard root

Para exibir as portas colocadas em estado root-inconsistent:

Switch# show spanning-tree inconsistentports

1.2 BPDU GUARD

O recurso BPDU Guard tem relação direta com o PortFast, outro recurso comumente ativado nas portas dos switches. O STP provê o recurso PortFast para que algumas portas sejam capazes de entrar diretamente em modo forwarding assim que o link é ativo. Ao fazê-lo o PortFast provê um mecanismo rápido de acesso à rede para dispositivos terminais que jamais poderiam ocasionar um loop. O comando para ativar uma interface com PortFast é:  

Switch(config-if)# spanning-tree portfast

Assim, por definição, em uma porta onde o PortFast foi ativado não se espera que seja conectado qualquer tipo de dispositivo capaz de causar loop. Caso um switch seja conectado por engano em uma porta com o PortFast ativado, então passa a existir um grande risco de ocorrência de loop na rede, o que é grave!

O recurso BPDU Guard foi desenvolvido para impedir o recebimento de qualquer BPDU nas portas em que foi ativado, fazendo com que  essa porta seja desativada e colocada em modo errdisable. Uma porta em estado errdisable deve ser reativada manualmente pelo administrador ou será reativada automaticamente apenas depois do timeout. Esse recurso pode ser ativado de maneira global em todas as portas ou individualmente por porta.

Para ativá-lo de maneira global o comando é:

Switch(config)# spanning-tree portfast bpduguard enable

Para ativá-lo individualmente na interface o comando é:

Switch(config-if)# spanning-tree bpduguard enable



2. Proteção à Interrupção Repentina de BPDUs

Quando temos uma topologia STP estável, periodicamente devem existir BPDUs enviadas pelo switch raíz e propagadas por todos os demais switches. O que ocorre quando uma porta de switch deixa de receber BPDUs repentinamente? A princípio pode ser que o switch conectado na outra ponta daquela porta tenha sido removido e então a topologia STP tem que passar pelo processo de reconvergência até que a porta seja liberada para encaminhar frames (forwarding). Essa seria a situação normal, mas a interrupção repentina de BPDUs também pode significar um erro no link entre os switches e é possível que ocorram loops. Os recursos explicados abaixo são úteis nesse caso...

2.1 LOOP GUARD

Se um switch possui um uplink para o switch raíz em que sua porta esteja bloqueada, isso quer dizer que há outro caminho redundante ativo e que a porta bloqueada continua recebendo as mensagens BPDU normalmente. Se por alguma falha a comunicação entre os switches cessar até que seja expirado o tempo limite do último BPDU válido, então o switch assume que não há mais necessidade de bloquear a porta porque não existe um dispositivo STP na outra ponta e um loop pode ocorrer.

Com o Loop Guard essa situação pode ser previnida, fazendo com que o switch fique monitorando a atividade de BPDUs nas portas não designadas (bloqueadas) onde existem uplinks para outros switches. Quando uma porta de uplink deixa de receber BPDUs, então ela é colocada em estado loop-inconsistent. A porta retorna automaticamente para seu estado anterior assim que o recebimento de BPDUs é normalizado.

Para ativá-lo de maneira global em todas as portas:

Switch(config)# spanning-tree loopguard default

Para ativá-lo de maneira individual por porta:

Switch(config-if)# spanning-tree guard loop

2.2 UDLD (Unidirectional Link Detection)

Normalmente são utilizadas fibras ópticas nos uplinks entre os switches principais que agregam os demais switches de acesso da rede. Esses links bidirecionais possuem um canal físico para transmissão (TX) e outro para recepção (RX), de forma que o tráfego pode fluir em duas direções. É muito comum a ocorrência de problemas físicos em apenas uma das direções do link, o que faz com que, em alguns casos, o switch entenda que o link esteja ativo. Essa situação cria um link unidirecional, uma situação potencialmente perigosa para a lógica do STP porque os quadros BPDUs somente serão recebidos em um dos lados. Ao parar de receber BPDUs em um dos lados é possível que ocorra um loop sem que o switch entenda sua causa.

O UDLD é um recurso proprietário da Cisco para detecção de links unidirecionais. Quando esse recurso é ativado o switch envia um quadro especial em intervalos regulares (de 7s ou 15s) e espera que a outra ponta ecoe os quadros de volta pelo outro canal, o que garante que o link é bidirecional. Esse recurso pode ser configurado para operar em dois modos: (i) normal e (ii) agressivo. A diferença é que a detecção de um link unidirecional implica apenas na geração de um registro syslog no modo normal, enquanto que no modo agressivo a porta e colocada em estado errdisable. O UDLD deve ser configurado em ambas as pontas e individualmente por porta, exceto para switches com todas as portas de fibra óptica que têm a opção de ativar esse recurso globalmente. 

!--- Modo Normal
Switch(config-if)# udld port

!-- Modo Agressivo
Switch(config-if)# udld aggressive



Samuel.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Manipulação do STP na Otimização de Redes Layer-2

Olá Pessoal.

Em minhas aulas sempre costumo lembrar os alunos que a configuração das características de layer-2 (camada de enlace) em infraestruturas de redes é comumente deixada de lado por muitos profissionais da área pelo simples fato de switches serem dispositivos de natureza "plug-and-play", diferente de roteadores que requerem configuração preliminar para funcionar. Ou seja, basta ligá-los na tomada, esperar as luzes estabilizarem, e está tudo Ok! (Ah se fosse assim...)

No entanto, é um erro grave a presunção de que a natureza "plug-and-play" dos switches siginifica que não é necessário fazer nenhuma configuração nesses dispositivos. Ao contrário, há vários protocolos e configurações importantes na camada de enlace que devem receber atenção do profissoinal de infraestrutura porque comumente essa camada se torna um ponto comum de subotimização do desempenho em vista dos "relaxos" de configuração (ou desconhecimento) do administrador.

As características de layer-2 são extremamente importantes porque a tecnologia ethernet tem uma lógica de operação relativamente simplista, o que implica em desempenho ruim sem configurações específicas para melhorar seu comportamento padrão. Por exemplo, o simples fato de criar várias sub-redes layer-3 na sua empresa não quer dizer que você esteja otimizando o desempenho da sua rede porque no layer-2 continua existindo um único domínio de broadcast no qual serão propagados todos os quadros gerados, por exemplo, pelo ARP e DHCP - muito comuns nas redes atuais.

Costumo brincar em aula dizendo que o switch não é nem um pouco tímido porque qualquer encaminhamento que ele tenha que fazer e não saiba seu destino, então ele sai logo "gritando" para toda a rede (sem nenhuma vergonha) - esse é o efeito de broadcast tão ruim do ponto de vista de desempenho. No caso do exemplo anterior, é uma boa prática de projeto sempre associar uma VLAN (Layer-2) com cada Sub-Rede (Layer-3) para minimizar o efeito negativo dos broadcasts.

O objetivo desse artigo não é explicar o funcionamento das VLANS, mas falar um pouco sobre como otimizar o desempenho de redes layer-2 através da manipulação do comportamento do protocolo STP (Spanning-Tree Protocol). O STP (802.1d) e o rSTP (802.1w) são protocolos utilizados pelos switches para evitar a ocorrência de loops no caso de ligação redundante de links ou mesmo através da ligação entre switches de maneira a formar um circuito, ou seja, uma topologia que possa permitir o tráfego infinito de quadros em "círculos".

Vamos utilizar como exemplo a figura abaixo, em que temos dois switches de distribuição juntos para fins de disponibilidade conectados a um switch de acesso, um abordagem muito comum do ponto de projeto de redes. É comum os switches de acesso onde são conectados os dispositivos terminais ficarem localizados em mini-racks nas proximidades e serem conectados a ambos os switches de agregação naquilo que chamamos de camada de distribuição. Essa topologia acaba possibilitando a ocorrência de loops e para que isso não ocorra o STP entra em ação, também de maneira automática, bloqueando uma das portas. 


Parte da lógica do STP consiste na eleição de um switch raíz que ficará propagando quadros de controle (mensagem hello a cada 2 segundos) para os demais switches da rede depois que a topologia estiver estabilizada. Como caberá ao switch raiz a propagação dessas mensagens de controle em toda a infraestrutura layer-2, também é uma boa prática de projeto que esse switch seja bem escolhido no sentido de manter a simetria e o desempenho da rede, tendo, assim, a menor distância possível na propagação dessas mensagens entre os demais switches - o que otimiza o uso dos links. Nessa linha de raciocínio é sempre conveniente utilizar os switches das camadas superiores como raíz.

Reparem na figura que nenhuma porta, aparentemente, está sendo bloqueada porque todas estão com a indicação verde, ou seja, encaminhando! Se o STP é automático então uma das portas deveria ser bloqueada para evitar a ocorrência de loops, mas por que isso não aconteceu? A resposta é que isso não aconteceu porque eu mudei as configurações padrões do STP justamente para otimizar o desempenho da rede, permitindo que o tráfego das VLANs 10 e 20 seja distribuído entre os uplinks

Nesse cenário existem a VLAN-10 e VLAN-20 em todos os switches. O ASW está conectado através de sua interface f0/1 ao DSW1 e através de sua interface f0/2 ao DSW2 que, por sua vez, estão conectados entre si. Tenham em mente que o objetivo desse laboratório é mostrar a melhor configuração do STP, por isso não estamos preocupados com o fato de que os uplinks entre switches sejam apenas fast-ethernet (100Mbps). 

Uma primeira boa prática de projeto então seria configurar DSW1 ou DSW2 para que um seja o raíz da rede e outro seja seu backup. Isso poderia ser feito facilmente atribuindo a prioridade 0 para DSW1 e a prioridade 4096 para DSW2, lembrando que a prioridade padrão de switches é 32.768. Ok, então vamos imaginar que deixamos DSW1 como raíz e DSW2 como seu backup. Ao fazer isso todos os quadros originados na VLAN-10 e VLAN-20 em ASW seriam encaminhados apenas pela interface f0/1 (interface conectada ao switch raíz) porque sua interface f0/2 seria bloqueada para evitar loops. Seria melhor do ponto de vista de desempenho se pudéssemos utilizar ambos os uplinks para distribuir todo o tráfego e, ainda assim, em caso de falhas, teríamos a rede operacional. 

Pois bem, é por isso que estaremos tirando proveito do método PVST (Per VLAN STP) dos switches da Cisco para criar duas instâncias de topologias STP distintas, uma para a VLAN-10 e outra para VLAN-20. No contexto da VLAN-10 vamos configurar DSW1 para ser raíz e DSW2 seu backup, enquanto que no contexto da VLAN-20 vamos configurar DSW2 para ser raíz e DSW1 seu backup. Ao fazer isso, estaremos balanceando todo o tráfego das VLANs 10 e 20 entre os dois uplinks, conforme veremos nas saídas adiante. 

Apesar da descrição da solução parecer complicada a princípio, não é! Reparem que com apenas duas VLANs fica muito fácil visualizar logicamente as duas topologias distintas. As configurações de DSW1 e DSW2 irão ficar assim:

DSW1(config)# spanning-tree vlan 10 priority 0
DSW1(config)# spanning-tree vlan 20 priority 4096
**
DSW2(config)# spanning-tree vlan 10 priority 4096
DSW2(config)# spanning-tree vlan 20 priority 0

Com apenas essas configurações já conseguimos ter um ganho considerável de desempenho por causa do efeito de balanceamento porque quadros da VLAN-10 serão encaminhados pelo uplink da interface f0/1 de ASW, enquanto que quadros da VLAN-20 serão encaminhados pelo uplink da interface f0/2 de ASW. Observem nas saídas abaixo que para a VLAN-10 (destaque em amarelo) a interface f0/1 está em estado FWD (forwarding) e a interface f0/2 está em estado BLK (blocking). No contexto da VLAN-20 (destaque em azul) a situação é inversa, ou seja, a interface f0/1 está em estado BLK e a interface f0/2 está em estado FWD.

ASW#show spanning-tree vlan 10,20

VLAN0010
  Spanning tree enabled protocol ieee
  Root ID    Priority    10
             Address     000A.4148.08C5
             Cost        19
             Port        1(FastEthernet0/1)
             Hello Time  2 sec  Max Age 20 sec  Forward Delay 15 sec

  Bridge ID  Priority    36874  (priority 36864 sys-id-ext 10)
             Address     0060.2F37.1B0D
             Hello Time  2 sec  Max Age 20 sec  Forward Delay 15 sec
             Aging Time  20

Interface        Role Sts Cost      Prio.Nbr Type
---------------- ---- --- --------- -------- --------------------------------
Fa0/1            Root FWD 19        128.1    P2p
Fa0/2            Altn BLK 19        128.2    P2p
Fa0/10           Desg FWD 19        128.10   P2p

VLAN0020
  Spanning tree enabled protocol ieee
  Root ID    Priority    20
             Address     0001.6359.999D
             Cost        19
             Port        2(FastEthernet0/2)
             Hello Time  2 sec  Max Age 20 sec  Forward Delay 15 sec

  Bridge ID  Priority    36884  (priority 36864 sys-id-ext 20)
             Address     0060.2F37.1B0D
             Hello Time  2 sec  Max Age 20 sec  Forward Delay 15 sec
             Aging Time  20

Interface        Role Sts Cost      Prio.Nbr Type
---------------- ---- --- --------- -------- --------------------------------
Fa0/1            Altn BLK 19        128.1    P2p
Fa0/2            Root FWD 19        128.2    P2p
Fa0/20           Desg FWD 19        128.20   P2p

Apesar das configurações em si serem simples, o mais importante em relação ao STP e suas variações (rSTP 802.1w e MST 802.1s) é conhecer seu modus operandi para tirar proveito do melhor desenho de projeto que possa otimizar o desempenho da rede. Esse artigo é importante para reforçar aos profissionais da área de redes que, apesar de switches serem "plug-and-play", isso não quer dizer que não haja necessidade de configurá-los - um visão equivocada que pode custar caro no desempenho de uma rede.

Abraço.

Samuel.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Configuração de Switch Multi-Layer (Layer-3)

Olá Pessoal.

Nesse experimento o leitor aprenderá a configurar um Switch Multi-Layer (Layer-3) com algumas das principais características que diferenciam esse equipamento dos switches convencionais. Os switches multi-layer conseguem desempenhar tarefas de conectividade de redes locais que fazem os tradicionais swiches, além de serem capazes de realizar o roteamento de tráfego inter-redes que somente roteadores podem fazer.

Além disso, o desempenho de um switch multi-layer é "sempre" melhor do que o de qualquer roteador tradicional porque esses switches multi-layer têm alto desempenho, realizando todas as suas tarefas eletronicamente em hardware cuidadosamente projetado para esse fim. 



No cenário apresentado na figura acima é possível observar que existem quatro switches de acesso conectando suas respectivas máquinas terminais e existem duas VLANs (10 e 20). Os switches de acesso estão conectados a um Switch Multi-Layer que é responsável pela distribuição da conectividade entre toda a rede, além de realizar o roteamento inter-VLAN.

Uma característica interessante desse cenário é que os endereços de todas as máquinas da sub-rede 192.168.10.0/24 (associada à VLAN-10) e 192.168.20.0/24 (associada à VLAN-20) são distribuídos automaticamente via DHCP. Via de regra, como o serviço de DHCP funciona através do envio de broadcasts na rede para localizar um servidor, teríamos que ter um servidor DHCP exclusivo para cada sub-rede. No entanto, essa seria uma opção cara e inviável num ambiente com mais VLANs.

Para sanar esse problema o servidor DHCP será instalado em uma sub-rede administrativa à parte das sub-redes 192.168.10.0/24 e 192.168.20.0/24. Essa sub-rede estará vinculada à VLAN-1 (padrão) e para permitir que o tráfego de broadcast gerado pelas máquinas no momento da solicitação de endreços chegue até o servidor, é necessário configurar uma função denominada relay-agent no switch/roteador para que ele saiba que deve reencaminhar todo tráfego de broadcast até o endereço específico do servidor DHCP na rede admnistrativa.   

Cabe destacar que o servidor DHCP utilizado nesse laboratório já está devidamente configurado com os escopos corretos para oferecer endereços às sub-redes. O servidor também já possui um IP 192.168.0.1/24 atribuído a ele e seu gateway está configurado como sendo o endereço 192.168.0.254. Ou seja, a interface do switch que está conectada ao servidor terá que ser configurada para ser uma porta roteável (layer-3) capaz de receber esse IP.

Isso só pode ser feito em switches multi-layer que têm suporte a diferentes tipos de portas, o que torna esse equipamento bastante versátil. As portas de um switch multi-layer podem ser:

  • Porta de Camada 2: Essa é a porta convencional que possui as funcionalidades básicas de qualquer porta de um switch, por isso ela também é chamada e switchport. Por padrão, as portas dos switches multi-layer sempre estão nesse modo, exceto em equipamentos de maior porte utilizados no núcleo de grandes redes;
  • Porta de Camada 3: Através do comando "no switchport" na configuração da interface é possível transformá-la em uma porta de roteador, ou seja, uma porta roteável em que podemos configurar um IP. Por isso podemos dizer que um switch multi-layer é um roteador com alta densidade de portas, já que todas as suas portas podem rotear.
  • Porta Virtual de VLAN: Esse modo é interessante porque permite a criação de uma interface virtual vinculada a uma determinada VLAN, de maneira que essa interface lógica pode ser configurada com um IP que será o gateway de todas as máquinas que são membros dessa VLAN.

Obs.: Para que o leitor possa compreender melhor a aplicação prática de cada um desses tipos de portas, nesse laboratório serão configuradas todas essas opções.

Configuração do Switch Multi-Layer (Layer-3)

A configuração do Switch Multi-Layer no nosso cenário envolve vários aspectos e por isso exemplificarei essa configuração em etapas distintas para que o leitor compreenda melhor qual tarefa está associada com cada bloco de comandos.

Se observamos o comportamento do STP (Spanning Tree Protocol) depois que os switches já estão estáveis, é fácil identificar que o Switch DSW não foi eleito o switch raiz da rede. Com o intuito de criar uma rede robusta e simétrica com o melhor desempenho possível, faremos a configuração manualmente da prioridade do DSW para que ele seja o novo raíz da rede (spanning-tree vlan ID priority 0), conforme pode ser observado no primeiro bloco de comandos.

Apesar de switches multi-layer serem capazes de rotear entre redes, normalmente esse comportamento não está ativado por padrão e utilizaremos o comando "ip routing" para permitir explicitamente que ele faça roteamento entre as redes presentes em sua tabela de roteamento. Aproveitaremos essa etapa para já realizar as principais configurações de hostname, desativação da resolução de nomes, definição de um domínio de switches, criação de VLANs que serão utilizadas, etc. Caso o leitor não tenha conhecimento dessas configurações básicas, recomendo leitura prévia do Lab06 do livro "Laboratórios de Tecnologias Cisco"!

Switch> enable
Switch# configure terminal
Switch(config)# hostname DSW
DSW(config)# no ip domain lookup
DSW(config)# ip routing
DSW(config)# vtp mode server
DSW(config)# vtp domain AULA
DSW(config)# vtp password SENHA
DSW(config)# vlan 10
DSW(config-vlan)# name VLAN-10
DSW(config-vlan)# vlan 20
DSW(config-vlan)# name VLAN-20
DSW(config-vlan)# exit
DSW(config)# spanning-tree vlan 1,10,20 priority 0
DSW(config)#

Depois de realizadas essas configurações iniciais, na sequência converteremos a interface f0/10 (conectada ao servidor DHCP) para uma porta roteável (no switchport) e então atribuiremos a ela o endereço 192.168.0.254/24, já que esse foi o endereço de gateway configurado no servidor. Também criaremos duas interfaces lógicas vinculadas a cada uma das VLANs (interface vlan) do laboratório e configuraremos em cada uma delas um endereço IP que será o gateway das sub-redes associadas a suas respectivas VLANs. 

Nas interfaces lógicas também utilizaremos o comando "ip helper-address" para redirecionar o tráfego de broadcast gerado nas respectivas VLANs até o endereço do Servidor DHCP. Finalmente configuraremos as interfaces de f0/1 até f0/5 que interligam os demais switches de acesso para carregarem informações de todas s VLANs, em modo trunk.

DSW> enable
DSW# configure terminal
DSW(config)# int f0/10
DSW(config-if)# no switchport
DSW(config-if)# ip address 192.168.0.254 255.255.255.0
DSW(config-if)# int vlan 10
DSW(config-if)# ip address 192.168.10.254 255.255.255.0
DSW(config-if)# ip helper-address 192.168.0.1
DSW(config-if)# int vlan 20
DSW(config-if)# ip address 192.168.20.254 255.255.255.0
DSW(config-if)# ip helper-address 192.168.0.1
DSW(config-if)# int range f0/1 - 5
DSW(config-if-range)# switchport trunk encapsulation dot1q
DSW(config-if-range)# switchport mode trunk       

Obs.: A partir desse ponto o leitor pode utilizar o comando "show ip route" para exibir a tabela de rotas do switch multi-layer e constatar que já existem as sub-redes referentes às interfaces em que atribuímos IPs.

Para finalizar, repare que na interligação entre o DSW e o ASW4 utilizamos dois links redundantes de propósito para que possamos agora configurar uma agregação dos dois links, formando uma porta lógica (denominada port-channel) equivalente à soma das duas interfaces físicas, conforme comandos na sequência.

Isso é interessante para garantir maior largura de banda entre os switches através do balanceamento de carga entre os links físicos. Como o STP bloqueia uma das portas para evitar a ocorrência de loops, então um dos links físicas fica ocioso, o que pode ser ruim do ponto de vista de desempenho na rede. 

DSW> enable
DSW# configure terminal
DSW(config)# int range f0/4 - 5
DSW(config-if-range)# channel-group 1 mode on
DSW(config-if-range)# end
DSW#   

Obs.: Criaremos a port-channel manualmente e repare que repetiremos esse procedimento posteriormente nas portas f0/23 e f0/24 do ASW4. Também é interessante reparar que depois que criamos a porta lógica agregada, então o STP não bloqueia mais nenhum dos links individuais, já que para ele somente existe a porta lógica a partir dessa configuração...

Feitos os procedimentos anteriores, então nosso switch multi-layer está devidamente configurado. Na próxima etapa faremos as configurações dos demais switches de acesso para associar suas portas às suas respectivas VLANs.

Configuração dos Switches de Acesso Convencionais

A configuração dos demais switches de acesso é bastante simples e se resume apenas à inserção deles no domínio AULA (VTP) e à associação das portas com suas respectivas VLANs. Especificamente no ASW4 esteremos configurando manualmente a agregação com o DSW. Essas configurações são todas trazidas nos blocos abaixo:

Switch> enable
Switch# configure terminal
Switch(config)# hostname ASW1
ASW1(config)# no ip domain lookup
ASW1(config)# vtp domain AULA
ASW1(config)# vtp mode client
ASW1(config)# vtp password SENHA
ASW1(config)# interface f0/24
ASW1(config-if)# switchport mode trunk
ASW1(config-if)# interface f0/1
ASW1(config-if)# switchport mode access
ASW1(config-if)# switchport access vlan 10
ASW1(config-if)# interface f0/2
ASW1(config-if)# switchport mode access
ASW1(config-if)# switchport access vlan 20
ASW1(config-if)# end
ASW1#       

Switch> enable
Switch# configure terminal
Switch(config)# hostname ASW2
ASW2(config)# no ip domain lookup
ASW2(config)# vtp domain AULA
ASW2(config)# vtp mode client
ASW2(config)# vtp password SENHA
ASW2(config)# interface f0/24
ASW2(config-if)# switchport mode trunk
ASW2(config-if)# interface f0/1
ASW2(config-if)# switchport mode access
ASW2(config-if)# switchport access vlan 10
ASW2(config-if)# interface f0/2
ASW2(config-if)# switchport mode access
ASW2(config-if)# switchport access vlan 20
ASW2(config-if)# end
ASW2#        

Switch> enable
Switch# configure terminal
Switch(config)# hostname ASW3
ASW3(config)# no ip domain lookup
ASW3(config)# vtp domain AULA
ASW3(config)# vtp mode client
ASW3(config)# vtp password SENHA
ASW3(config)# interface f0/24
ASW3(config-if)# switchport mode trunk
ASW3(config-if)# interface f0/1
ASW3(config-if)# switchport mode access
ASW3(config-if)# switchport access vlan 10
ASW3(config-if)# interface f0/2
ASW3(config-if)# switchport mode access
ASW3(config-if)# switchport access vlan 20
ASW3(config-if)# end
ASW3#        

Switch> enable
Switch# configure terminal
Switch(config)# hostname ASW4
ASW4(config)# no ip domain lookup
ASW4(config)# vtp domain AULA
ASW4(config)# vtp mode client
ASW4(config)# vtp password SENHA
ASW4(config)# interface range f0/23 - 24
ASW4(config-if-range)# switchport mode trunk
ASW4(config-if-range)# channel-group 1 mode on
ASW4(config-if-range)# interface f0/1
ASW4(config-if)# switchport mode access
ASW4(config-if)# switchport access vlan 10
ASW4(config-if)# interface f0/2
ASW4(config-if)# switchport mode access
ASW4(config-if)# switchport access vlan 20
ASW4(config-if-range)# end
ASW4#      

Ótimo! Agora que já foram realizados os passos anteriormente descritos nessa atividade de laboratório, é de se esperar que o leitor tenha uma melhor compreensão dos aspectos práticos que envolvem a configuração de um Switch Multi-Layer (Layer-3). Os comandos abaixo podem ser utilizados para verificar o status das configurações:

Switch# show vlan
Switch# show interface trunk
Switch# show ip interface brief
Switch# show ip route
Switch# show ether-channel summary
Switch# show ether-channel port-channel 
  
Abraço.

Samuel.