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sexta-feira, 20 de março de 2015

Atualização do Firmware de Telefones IP via Roteador ISR

Olá Pessoal,

O Laboratório 15 do meu livro "Laboratórios de Tecnologias Cisco em Infraestrutura de Redes" detalha o processo de configuração do CUCME (Cisco Unified Call Manager Expresspara integrar o serviço de telefonia (VoIP) à rede de dados. Naquela oportunidade o leitor foi apresentado ao cenário abaixo e foi explicado  que os telefones IP recebem seus firmwares e arquivos de configuração através de um elemento externo, por isso temos que configurar o serviço de DHCP com a opção 150 para informar o endereço do servidor em que os telefones devem baixar esses arquivos.


Esse elemento externo pode ser uma máquina qualquer executando algum serviço TFTP ou o próprio Roteador de Serviços Integrados (ISR). Para aqueles que não conhecem o serviço TFTP, recomendo a leitura de outro artigo no blog: "Backup de Configurações do IOS em Servidor TFTP no Linux". O objetivo desse artigo é listar os passos necessários para configurar o próprio roteador ISR como servidor TFTP para que os telefones IP possam baixar seu firmware sem depender de um servidor específico para esse fim, uma prática comum com o CUCME.

Para simplificar as configurações, vamos assumir que os telefones utilizados em nosso ambiente são todos Cisco Unified IP Phone 7911G (foto), um modelo bastante comum nas empresas por causa da sua simplicidade e custo/benefício. Antes de iniciar as configurações é importante localizar a versão correta do firmware do telefone, procedimento que pode ser realizado na página de suporte do próprio site da Cisco (http://www.cisco.com/cisco/web/support), desde que o usuário tenha um login ou seja certificado Cisco e tenha seu número CSCO. 


O firmware do 7911 baseado no protocolo SCCP (proprietário da Cisco) é composto de oito arquivos:

  • apps11.9-3-1E26.sbn
  • cnu11.9-3-1E26.sbn
  • cvm11sccp.9-3-1E26.sbn
  • dsp11.9-3-1ES26.sbn
  • jar11sccp.9-3-1E26.sbn
  • SCCP11.9-3-1SR4-1S.loads
  • term06.default.loads
  • term11.default.loads

Uma vez em posse do firmware correto, é importante carregar esses arquivos na memória do roteador ISR. Um método comum de fazer esse procedimento é via USB, sendo que outro método comum consiste em "subir" temporariamente um serviço TFTP apontando para o diretório na máquina do usuário em que os arquivos do firmware foram baixados.

Se o usuário optar pelo primeiro método, é necessário copiar os arquivos do firmware em um pen drive previamente formatado com o sistema de arquivos FAT, inserí-lo na interface USB do roteador e copiar os arquivos do pen drive para a memória flash:

Router# copy usbflash0:apps11.9-3-1ES26.sbn flash:
Router# copy usbflash0:cnu11.9-3-1ES26.sbn flash:
Router# copy usbflash0:cvm11sccp.9-3-1ES26.sbn flash:
Router# copy usbflash0:dsp11.9-3-1ES26.sbn flash:
Router# copy usbflash0:jar11sccp.9-3-1ES26.sbn flash:
Router# copy usbflash0:SCCP11.9-3-1SR4-1S.loads flash:
Router# copy usbflash0:term06.default.loads flash:
Router# copy usbflash0:term11.default.loads flash:
Router# show flash:
(...) verificar se os arquivos foram copiados

Se o usuário optar pelo segundo método, depois que o serviço TFTP estiver em execução na máquina do usuário (por ex.: IP 192.168.100.1), basta acessar o roteador ISR e utilizar os comandos abaixo para copiar os arquivos da máquina do usuário (servidor TFTP) para a memória flash do roteador:

Router# copy tftp://192.168.100.1/apps11.9-3-1ES26.sbn flash:
Router# copy tftp://192.168.100.1/cnu11.9-3-1ES26.sbn flash:
Router# copy tftp://192.168.100.1/cvm11sccp.9-3-1ES26.sbn flash:
Router# copy tftp://192.168.100.1/dsp11.9-3-1ES26.sbn flash:
Router# copy tftp://192.168.100.1/jar11sccp.9-3-1ES26.sbn flash:
Router# copy tftp://192.168.100.1/SCCP11.9-3-1SR4-1S.loads flash:
Router# copy tftp://192.168.100.1/term06.default.loads flash:
Router# copy tftp://192.168.100.1/term11.default.loads flash:
Router# show flash:
(...) verificar se os arquivos foram copiados

O próximo passo é autorizar o roteador ISR a compartilhar os arquivos que fazem parte do firmware com os telefones IP, ou seja, permitir que o roteador ISR seja um servidor TFTP. Esse procedimento pode ser realizado através das seguintes linhas de configuração:

Router(config)# tftp-server flash:apps11.9-3-1ES26.sbn
Router(config)# tftp-server flash:cnu11.9-3-1ES26.sbn
Router(config)# tftp-server flash:cvm11sccp.9-3-1ES26.sbn
Router(config)# tftp-server flash:dsp11.9-3-1ES26.sbn
Router(config)# tftp-server flash:jar11sccp.9-3-1ES26.sbn
Router(config)# tftp-server flash:SCCP11.9-3-1SR4-1S.loads
Router(config)# tftp-server flash:term06.default.loads
Router(config)# tftp-server flash:term11.default.loads

A partir desse ponto os telefones serão capazes de baixar os arquivos do firmware através do próprio roteador ISR. É sempre bom reforçar que o endereço do roteador deve ter sido informado previamente na configuração do serviço DHCP (destaque em amarelo), especificamente ao configurar o código 150 que faz referência a um servidor TFTP.

Router(config)# ip dhcp excluded-address 192.168.200.254
Router(config)# ip dhcp pool DHCP-VoIP
Router(config-dhcp)# network 192.168.200.0 255.255.255.0
Router(config-dhcp)# default-router 192.168.200.254
Router(config-dhcp)# option 150 ip 192.168.200.254

Samuel.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Telefonia IP da Cisco em Médias Empresas

Olá Pessoal.

O Lab11 do livro traz um cenário bem interessante de telefonia integrada à rede de dados que é comumente adotado em empresas de médio porte, conforme pode ser observado na figura abaixo. Lembrando aos intressados que os procedimentos de configuração desse ambiente são detalhados no livro.


Quando faço esse laboratório em aula com os meus alunos, logo vem a seguinte pergunta: "Professor, como interligar a rede local de telefonia com a rede pública de telefonia?" Ou seja, como permitir que os ramais internos também possam fazer ligações externas?

Infelizmente o Packet Tracer não permite que essa prática seja configurada no nosso cenário, mas como essa é uma dúvida recorrente, acho que cabe uma postagem mostrando como seria essa configuração.

Então vamos começar com uma pequena alteração na figura anterior, já que precisamos acoplar ao nosso roteador ISR (Roteador de Serviços Integrados) uma interface FXO de voz que será conectada à rede pública de telefonia (denominada PSTN).




Estamos partindo do princípio de que todas as configurações do CUCME (Cisco Unified Communications Manager Express), antigo Call Manager Express, já estão configuradas da maneira apresentada no livro. A interface FXO que permitirá a conexão do roteador à rede analógica de telefonia será a "voice-port 0/0/0". As configurações básicas necessárias para permitir que os ramais internos possam alcançar números externos são apresentadas adiante:

01. ISR(config)# voice-port 0/0/0
02. ISR(config-voiceport)# connection plar 9
03. ISR(config-voiceport)# exit
04. ISR(config)# num-exp 9 54001

05. ISR(config)# dial-peer voice 1 pots
06. ISR(config-dial-peer)# description "Chamada de Emergência"
07. ISR(config-dial-peer)# destination-pattern 019[023]
08. ISR(config-dial-peer)# forward-digits 3
09. ISR(config-dial-peer)# port 0/0/0
10. ISR(config-dial-peer)# exit

11. ISR(config)# dial-peer voice 2 pots
12. ISR(config-dial-peer)# description "Chamada Local"
13. ISR(config-dial-peer)# destination-pattern 0........
14. ISR(config-dial-peer)# digit-strip
15. ISR(config-dial-peer)# port 0/0/0
16. ISR(config-dial-peer)# exit

17. ISR(config)# dial-peer voice 3 pots
18. ISR(config-dial-peer)# description "Chamada Interurbano"
19. ISR(config-dial-peer)# destination-pattern 0099..........
20. ISR(config-dial-peer)# prefix 099
21. ISR(config-dial-peer)# port 0/0/0
22. ISR(config-diar-peer)# exit

Muito bem, está pronto! Vamos às explicações:

Nas linhas de 01-04 configuramos um recurso importante denominado PLAR (Private Line Auto Ring) que faz com que qualquer chamada destinada ao número telefônico da sua linha analógica seja redirecionado para o ramal 54001, afinal seu roteador não irá tocar quando alguém te ligar! Normalmente a chamada é redirecionada para um ou mais ramais das telefonistas. É comum nas empresas a utilização do ramal 9 para falar com as telefonistas porque é mais cômodo digitar um único digito e por isso escrevemos a quarta linha para criar uma associação entre 54001 e 9.

Feito isso, o passo mais importante é a criação de planos de discagem denominados dial-peers com as "rotas" para as chamadas externas. Pensem no dial-peer como uma entrada estática na tabela de roteamento, mas voltado para o contexto da telefonia.

Nas linhas de 05-10 criamos um dial-peer para as chamadas de emergência, um pré-requisito fundamental que sempre deve ser configurado. Reparem que informamos esse plano com a entrada 019[023], o que quer dizer que o primeiro dígito 0 é necessário para "pegar" a linha, como acontece em qualquer PBX, e depois temos os números 190, 192 e 193. Como os números e emergência sempre iniciam em 19, então fixamos esses dígitos e utilizamos [023] para identificar que o usuário pode discar no final 0, 2 ou 3. Qualquer outro número fora desse parão, por exemplo, 199, terá a chamada rejeitada pela operadora. O comando "forward-digits 3" considera somente os três últimos dítigos da direita para a esquerda, ou seja, remove o 0 da discagem, afinal o 0 somente foi importante para "pegar" a linha. Por fim, informamos ao roteador que qualquer número discado que se enquadre nessas regras será encaminhado para a interface 0/0/0 de voz, ou seja, para a rede de telefonia pública.

Seguindo essa mesma lógica, nas linhas de 11-16 criamos um dial-peer para as chamadas locais e nas linhas de 17-22 criamos um dial-peer para as chamadas interurbanas. A única diferença é que o "." indica que o usuário pode discar qualquer número, sendo que "digit-srip" instrui o roteador a eliminar os números pré-fixados - nesse caso, o 0. É interessante destacar que podemos fidelizar no roteador uma única operadora para todas as chamadas de longa distância, como fizemos com a operadora fictícia 99 através do comando "prefix". Com o plano que criamos, quando algum usuário quiser fazer uma ligação interurbana, terá que digitar dirtamente o DDD da cidade seguido do número, ou seja, 19XXXXXXXX. Interessante, não?

Com essas configurações rápidas, nossa rede de voz integrada à rede de dados agora está interligada com a rede de telefonia pública. Claro que exploramos apenas os recursos mais básicos.  As soluções de comunicações unificadas da Cisco tem vários outros recursos, tais como: 

  • Network Directory: associa nomes de usuários aos números de ramais e distribui automaticamente a "agenda" aos telefones IP;
  • Call Forwarding: redireciona a chamada para outro telefone, normalmente quando a linha está ocupada ou ninguém responde;
  • Call Park: estaciona uma chamada em outro ramal para que outras pessoas posteriormente possam capturá-la novamente ao discar para esse outro remal;
  • Call Pickup: permite que usuários possam "puxar" a ligação de outros telefones quando não há ninguém para atender;
  • Intercom: chamada unidirecional via viva-voz;
  • Paging: permite o envio de mensagens unidirecionais para um grupo de usuários (multicast), no entanto a infraestrutura da rede (switches) deve estar preparada para tráfego multicast;
  • After-Hours Call Blocking: permite o bloqueio do telefone a partir de um horário ou em feriados;
  • CDR Call Accounting: log de chamadas (tarifador);
  • Music on Hold (MoH): executa um arquivo de áudio na espera das chamadas;
  • Single Number Reach (SNR): uma pessoa pode ser localizada onde estiver através de um número único do escritório, desde que seu celular esteja cadastrado no roteador como segunda opção.

Enfim, fica claro que são vários os recursos disponíveis.

Abraço!

Samuel.